Jovens resistem no Semiárido com produção agroecológica

Do plantio até a comercialização, tudo é feito pelas famílias.

Vanessa Gonzaga

Leer en español | Brasil de Fato | Campina Grande (PB),

Essa foi a segunda etapa do Intercâmbio entre Agricultores e Agricultoras de Regiões Áridas e Semiáridas do Mundo. - Créditos: Vanessa Gonzaga
Essa foi a segunda etapa do Intercâmbio entre Agricultores e Agricultoras de Regiões Áridas e Semiáridas do Mundo. / Vanessa Gonzaga
Durante essa semana, 20 intercambistas da Guatemala, Chile, El Salvador e Honduras visitaram áreas de produção agroecológica em regiões semiáridas da Paraíba e Pernambuco. Essa foi a segunda etapa do Intercâmbio entre Agricultores e Agricultoras de Regiões Áridas e Semiáridas do Mundo. A atividade, organizada pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), em conjunto com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), tem o objetivo de promover trocas de experiências, técnicas e saberes entre agricultores e agricultoras de países da América Latina, África e Europa, que possuem regiões com clima, quantidade de chuvas e ecossistemas similares.
Em abril desse ano, 13 agricultores e agricultoras, dos 10 estados que compõem o semiárido brasileiro, visitaram experiências em El Salvador e Guatemala, países da América Central que, em conjunto com Honduras e Nicarágua, formam o Corredor Seco da América Central. A região tem semelhanças com o Semiárido não apenas geográficas, mas também nas diversas formas e métodos que as organizações camponesas criam e aperfeiçoam para produzir alimento para o gado, aumentar o plantio, e o mais importante, armazenar água da chuva para o consumo, de forma que a escassez seja evitada nas regiões.Uma das experiências que encantou a equipe de visitantes fica na comunidade Carrasco, zona rural da cidade de Esperança, que faz parte do Pólo da Borborema, no interior da Paraíba. Lia e Miguel tiveram oito filhos, mas apenas três, Delfino, Jacira e Almir, decidiram desde muito cedo ficar na terra e continuar produzindo. Delfino Oliveira decidiu ficar para continuar o trabalho dos pais e por ver na produção de alimentos uma forma de conciliar bem estar e trabalho. Denise, sua esposa, é da cidade de Ipojuca, na região metropolitana de Pernambuco e decidiu que também trabalharia com a agricultura. “Meu pai é de Pernambuco e minha mãe daqui, como meu pai morreu a gente veio para cá tem uns 10 anos”. Os dois jovens dividem as atividades de plantio, cuidado com os animais, beneficiamento e venda dos produtos.

Dando continuidade ao trabalho dos pais, Delfino e Denise expandiram e aumentaram a variedade da produção acessando uma série de políticas públicas, como o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), o Fundo Rotativo Solidário, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que destina alimentos livres de agrotóxicos e vindos da agricultura familiar para escolas públicas.

Com a contribuição desses programas, foi possível construir uma cisterna com capacidade de 52 mil litros, que garante a produção durante o ano inteiro, um biodigestor que transforma esterco de animais em gás de cozinha, que fez com que a família diminuísse muito os gastos com botijões de gás, comprados agora apenas uma vez ao ano como reserva, caso os métodos alternativos falhem, o que em três anos nunca aconteceu, e também um fogão à lenha ecológico construído de alvenaria com um mecanismo que evita que a fumaça fique dentro dos cômodos da casa e utilizando apenas madeira excedente de outras atividades da fazenda, evitando o desmatamento e contribuindo para a alimentação própria e a transformação da matéria prima produzida pela família em produtos processados.

Em apenas 2,5 hectares de um terreno íngreme e com pouco índice de chuvas, eles produzem feijão, milho, macaxeira, laranja, cajá, graviola, alface, couve e plantas medicinais, mas também fazem outros produtos a partir disso. “Além das frutas, a gente faz polpas e mel com duas variedades de abelha, a uruçu, que é sem ferrão, e a italiana. A gente tira nosso sustento todo daqui, ninguém trabalha fora”, reforça a agricultora. Com a variedade da produção, os lucros vindos têm servido para comprar mais lotes de terra e ampliar o plantio. O plantio, baseado na policultura, sem uso de agrotóxicos ou transgênicos e vendido para cidades da região vem sendo ameaçado pelo agronegócio, mas a família resiste. “O dono das terras aqui do lado é um grande proprietário. Ele vem destruindo a mata nativa para plantar capim transgênico e com veneno. Derruba toda a mata nativa, causa enxurrada e isso leva os nutrientes da terra. Isso prejudica a fertilidade do solo inteiro, inclusive do nosso. Mas mesmo assim nós conseguimos produzir durante os períodos de seca e eles não”.

Além disso, os cortes nos investimentos destinados à agricultura familiar diminuíram a renda. Com o PNAE, Delfino e Denise já chegaram a lucrar cerca de R$ 8000,00 por semestre, mas este ano o lucro diminuiu para R$ 3500,00.

Os problemas não os desanimou de continuar produzindo e resistindo. Do plantio à venda dos alimentos, tudo é feito pelo grupo, o que garante preços baixos e confiança com os clientes, que sabem a procedência de tudo que é vendido nas feiras agroecológicas organizadas em 12 cidades da região pela Associação de Agricultores e Agricultoras Agroecológicos, a EcoBorborema. Todos os alimentos vendidos nas feiras são certificados e isso gera um clima de credibilidade, não apenas com os consumidores nas feiras, mas também com órgãos institucionais. Denise, que vai à feira constantemente observa quem são seus clientes. “A gente não vende só, na feira, tem vizinho que vem andando das roças vizinhas pra comprar do nosso. Outra coisa é que na feira muitos agricultores que plantam com veneno não comem a própria produção, aí acabam comprando o nosso porque sabem que é agroecológico”. Com a Associação, a feira que acontece todas as sextas no centro da cidade tem quebrado mitos como o de que o preço dos alimentos agroecológicos é maior do que os convencionais, o que não procede, já que não há atravessadores ou revenda de produtos e tudo é vendido na própria região, sem dificuldade de transporte, impactando em preços iguais ou até mais baixos em relação aos alimentos produzidos com veneno.

A partir da troca de experiência com agricultores e agricultoras, a experiência de Delfino e Denise tem se tornado um exemplo na região de como os jovens podem ter uma alternativa ao êxodo rural e ao agronegócio, produzindo alimentos saudáveis e com grande escoamento a partir das feiras agroecológicas. Quando é questionado se deixaria a produção para viver na cidade ou trabalhar como assalariado rural, Delfino responde “Eu nasci e me criei aqui, foi naturalmente. Não saio daqui porque é a forma de valorizar tudo o que meus pais fizeram e também de produzir alimentos saudáveis não só pra gente, mas também pra quem compra”.

*A repórter viajou a convite da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).

Edição: Monyse Ravenna

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Escola Nacional de Formação da PJR

“Caminhando e cantando /E seguindo a canção /Somos todos iguais /Braços dados ou não /Nas escolas, nas ruas /Campos, construções”.

Refletir a caminhada e formar novas lideranças para o trabalho de base junto a juventude camponesa, é que foi realizada entre os dias 14 a 20 de Janeiro de 2018, na cidade de Lajinha em Minas Gerais a Escola Nacional de Formação da Pastoral da Juventude Rural – PJR Rosa Maria Fortini, jovens de vários recantos do país marcaram presença, neste momento de formação, compartilhamento e vivência.

Tendo como homenageada a companheira Rosa Maria Fortini que contribuiu no trabalho de base junta a juventude camponesa mineira em sua formação durante toda a sua vida. A PJR mineira e sua juventude acolheu todos os estados presentes e mostrou os trabalhos de bases que tem feito com a juventude do Campo no estado, e a articulação com os jovens e as jovens das comunidades.

Segundo Josiel Alves da PJR da Paraíba “a escola foi bastante construtiva ao longo das atividades realizadas, onde a juventude presente mostrou-se inquietante com a atual conjuntura, principalmente no campo, e mostrou-se comprometida na construção do Reino de Deus.

Ana Beatriz também da Paraíba, relata a sua participação, e o que ela achou da escola de formação “gostei muito da experiência de estar participando da Escola Nacional de Formação Rosa Maria Fortini em Minas Gerais. Foi uma oportunidade muito boa, em que partilhamos momentos de saberes com outras e outros jovens camponeses. Um dos momentos mais legais foi a visita a propriedade de um companheiro, onde tem uma plantação agroecológica de café e outras plantas frutíferas,como laranja, abacate, abacaxi”.

Ela ainda ressalta a importância da visita a propriedade e de conhecer um pouco do manejo que o dono utiliza no trato com sua plantação, “uma forma diferente de manejo que não usa o agrotóxico uma coisa difícil de ser presenciada nos dias atuais com todo esse veneno que consumimos dia a dia, outro ponto importante nessa família com praticamente 15 pessoas sendo, os país e os filhos que tomando conta da plantação de café e da mãe terra, foi uma vivência que marcou muito essa escola regada de bons saberes, que quero sempre compartilhar”.

Que a vivência durante o curso de formação renda bons frutos, que a juventude camponesa presente reflitam sobre o trato com a mãe terra, compartilhando as experiências vividas com o jovens de sua base, refletindo sobre a importância da organização juvenil, para o fortalecimento das relações sociais de pertencimento com a terra e as causas da sociedade. Diante de um governo golpista, que visa um Estado mínino, retirando direitos afetando sempre os mais necessitados.

Rosa Maria Fortini: PRESENTE, PRESENTE, PRESENTE

CONFIRA O ÁLBUM

Postado por Comunicação da PJR

I Escola de Formação Regional Nena Marinho da PJR/PE

“Essa luta é nossa, essa luta é do povo e é só lutando que construirmos um Brasil novo” 

Entre os dias 07 a 09 de julho, a juventude da Pastoral da Juventude Rural do Regional Agreste Meridional 2 do Estado de Pernambuco, realizou no Auditório Frei Jessé – SISPUM (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais), São Bento do Una – PE, sua I Escola de Formação Nena Marinho, para conhecimento e aprofundamento da história, mística, organicidade e identidade da PJR. Presentes os municípios de Bom Jardim e Ibirajuba, Diocese de Caruaru; São João, Jupi e São Bento do Una, Diocese de Garanhuns, de diferentes grupos e associações, respectivamente; AGROFLOR, Associação Comunitária do Cajá, AVAPE (Associação de Vaqueiras de Pernambuco).

Nessa troca mística de experiências, apontando as dificuldades e potencialidades da região. Compartilhando suas vivencias em uma analise conjuntural da realidade, as opressões machistas e LGBTfóbicas foram destaques neste momento, percebendo-se a importância de aprofundamento nos debates de gênero e diversidade nas formações.

Teve-se como centralidade o estudo dos GPR (Grupo de Produção e Resistência) trazendo seu importante papel para a resistência da juventude camponesa na sua base. Momento impar para fortalecimento da PJR regional e estadual. Assim finalizamos a nossa I Escola de Formação, animados pelas vivências misticas e com o compromisso de retornar as nossas comunidades, com a missão de fortalecermos cada vez mais o trabalho de base, e avançarmos na construção de um projeto popular para o Brasil.

PJR: Mística, luta e Resistência

Texto e imagens: Hérica Janaína

MILITANTES DA PJR/PE, PARTICIPARAM DE CARAVANA AGROECOLÓGICA E CULTURAL DO AGRESTE PERNAMBUCANO

            De 01 a 03 de Junho, jovens da Pastoral Juventude Rural – PJR participaram da “CARAVANA AGROECOLÓGICA E CULTURAL DO AGRESTE DE PERNAMBUCO” com o tema “semeando a vida através da Agroecologia”, realizado pela Rede Nordeste de Núcleos de Agroecologia (RENDA) e pelo Núcleo Agro familiar da UFRPE/UAG junto com outras organizações, instituições, movimentos sociais e sindicais, povos Indígenas e Quilombolas que atuam no território.

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            Com a proposta pedagógica de dividir em 4 rotas na perspectiva de construir o caminho pro “bem viver”, a caravana cumpriu bem com seu objetivo de conhecer as experiências agroecológicas do agreste Pernambucano e intercambiar a troca de saberes e sabores entre as(os)  envolvidas(os)  possibilitando o fortalecimento dos agricultores e agricultoras, estudantes universitárias(os) e professoras(es) de suas praticas ressaltando a importância da conservação da Agrobiodiversidade e da mobilização.

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            Nessas rotas foram visitados assentamentos da reforma agrária, comunidades indígenas e quilombolas, que presentearam os caravaneiros com a grande diversidade de suas culturas e produções. A caravana possibilitou ver que a construção da agroecologia perpassa por as praticas locais visibilizadas por toda a sociedade, de forma que cada experiência partilhada gera fortalecimento de varias.

Texto e Imagens

Rodrigo Silva e Hérica Janaína

PJR entrega Pauta 2016 para o Ministro do MDA

O ministro Patrus Ananias recebeu no MDA a PJR (Pastoral da Juventude Rural), no dia 25 (vinte e cinco) de Fevereiro de 2016, que apresentou a pauta de reivindicação 2016 da Juventude do campo. Ele assumiu o compromisso de apoiar a rede GPR (Grupo de Produção e Resistência) e estar presente no primeiro intercâmbio e feira nacional de sabores e saberes da juventude camponesa que acontecerá nos dias 05 a 08 de maio de 2016 contando com cerca de 1000 (mil) jovens no Centro de Formação  Paulo Freire – Assentamento Normandia Caruaru Agreste Meridional de Pernambuco.

Estando também presente na reunião a assessora de juventude do MDA Luiza Dulci e representado  coordenação nacional da PJR, Gilmara Francy-RN, Kleitinho Albuquerque-PB e Paulo Mansan-PE.

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Pauta da PJR 2016

A Pastoral da Juventude RuralPJR articula a juventude camponesa no Brasil e tem como objetivo fazer do campo um lugar com condições dignas de vida, especialmente da juventude rural. Vem atuando junto com outros movimentos sociais do campo.

Foi criada em 1983 copletando assim 32 anos. Mobilizou e mobiliza milhares de jovens camponeses até hoje. Sua coordenação é composta em sua totalidade por jovens camponeses. Está articulada em 22 Estados Brasileiros – RS, SC, PR, SP, RJ, ES, MG, BA, SE, AL, PE, PB, RN, CE, MA, PI, PA, TO, GO, MS, MT e RO, com mais de 2000 grupos de jovens, e destes mais de 200 vários são Grupos de Produção e Resistência – GPR.

Somos uma parcela dos 8 milhões de jovens rurais que clamam por permanecerem no campo, sendo que maior parte, segundo MDS, abaixo da linha da pobreza.

Estamos novamente exigindo os direitos da Juventude Camponesa, pqra que tenha condições de reproduzir a Agricultura Familiar Camponesa, através da pauta que segue:

 

  1. COMBATE AO AGRONEGÓCIO

    1. Defesa da soberania nacional: não entrega de terras e riquezas naturais brasileiras ao capital estrangeiro;
    2. .Alteração da matriz produtiva no campo brasileiro, e implementação da agroecologia em vista da soberania alimentar;..
    3. Incentivo ao cultivo agroecológico, vinculado ao PAA e PNAE e transformação destes programas em política de Estado;
    4. Fomento para iniciativas em economia popular e solidária, com acompanhamento técnico, contribuindo para a permanência da juventude no campo;
    5. Defesa dos biomas e repúdio aos grandes projetos.

 

 

 

 

  1. ACESSO A TERRA E GARANTIA DO TERRITÓRIO

    1. Garantir o direito de acesso a terra para a juventude camponesa tenha a partir dos 16 anos.
    2. Assentamento imediato de todas as famílias acampadas, sem deixar a juventude para o final da fila:
      • Via Reforma Agrária Popular (política principal), com desapropriação do latifúndio.
      • Via programas complementares onde for impossível realizar a reforma agrária.
    3. Fortalecimento dos Programas de acesso a terra em especial o Programa Nacional de Crédito Fundiário: aumento do teto para R$ 200 mil por projeto, sendo 0% de juros para o Nossa Primeira Terra; equiparação do rebate do NPT, para todas as regiões, igual ao do Semiárido.
    4. Revisão dos índices de produtividade para acelerar o processo de desapropriação de latifundios improdutivos.
    5. Necessidade da Regularização Fundiária, com limite de propriedade.
    6. Reconhecimento, demarcação e regularização dos território indígenas, quilombolas e fundos de pastos.
  1. ACESSO A TRABALHO E RENDA

  1. Transformar o PRONAF JOVEM em algo que funcione:
    • Limite de R$ 20.000,00;
    • Juros a 0%;
    • Idade de acesso: mínima de 16 anos e máxima de 32 anos;
    • Prazo para pagamento: 12 anos;
    • Com carência de 8 anos;
    • Com rebate de 50 % nas parcelas pagas em dia;
    • Com capacitação obrigatória e o governo deve garantir os cursos de capacitação;
    • Assistência técnica: 2% paga pelo jovem e 3% subsidiado pelo governo.
    • Quanto à distribuição territorial priorizar nordeste e norte;
    • Todos os jovens aptos da unidade familiar podem acessar este crédito.
  2. Fomento ou subsídio desburocratizado para grupos produtivas de jovens camponeses:
    • Fomento à agricultura camponesa agroecológica;
    • Fomento para estruturação da Unidade Produtiva no valor de R$ 40.000,00.
  3. Apoio a Agroecologia, via:
    • Criar áreas livres de transgênicos e agrotóxicos;
    • Fomento a processos de transição para a agroecologia;
    • Distribuição de sementes crioulas (fundo rotativo);
    • Apoio aos bancos de sementes;
    • Liberação de agentes de desenvolvimento sustentável local com formação agroecológica.
  4. Acompanhamento técnico:
    • Fortalecimento da assistência técnica publica, com a formação dos quadros na agroecologia e no cambio da concepção da assistência técnica, incluindo a sócio-ambiental;
    • Acompanhamento técnico aos grupos de produção de orientação agroecológica, especialmente aos GPRs;
    • Convênio para contratação de jovens técnicos formados na orientação da agricultura camponesa.
  5. Apoio a Agroindústria de pequeno porte:
    • Criação de legislação própria para a pequena agroindústria camponesa diferenciada da grande agroindústria.
  6. Apoio a Comercialização:
    • Incentivo a comercialização em feira livre ou parcerias (pontos de venda);
    • Apoio a venda direta produtor consumidor;
    • Criação de Mercado Popular (preço acessível para a classe trabalhadora);
    • Fortalecimento do PAA – Programa de Aquisição de Alimentos;
    • Fortalecimento do PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar;
    • Cota de 30% no PAA e PNAE para produção realizada por jovens camponeses;
    • Possibilitar que jovens camponeses comercializem no Mercado Institucional: hospitais públicos, forças armadas, …
  7. Fortalecimento da Economia Popular Solidária;
  8. Apoio para Visibilização de experiências entre jovens camponeses:
  • Seminários de socialização dos GPR;
  • Intercambio de experiências agroecológicas.

 

 

 

 

  1. EDUCAÇÃO DO CAMPO E NO CAMPO

    1. Educação de qualidade: Que a educação no campo seja “Educação do Campo”, tendo a agroecologia em seu projeto político pedagógico, e de preferência Pedagogia da Alternância;
    2. Construção de uma educação própria e apropriada do campo:
      • Projeto Político Pedagógico que respeite a atualidade da comunidade camponesa;
      • Que a vida do campo faça parte da vida curricular da escola, influindo no material didático
      • Formação dos educadores para atuarem nas escolas do campo.
    3. Escolas do campo, no campo, com estrutura de qualidade:
      • Escolas do campo bem equipadas: laboratório, biblioteca, laboratório de informática, …
      • Escolas com luz, água potável e acesso em boas condições.
    4. Que os filhos e filhas dos camponeses tenham direito à escola no campo;
      • Fortalecimento das Escolas em alternância, como as Escolas Famílias Agrícolas – EFAs, as Escolas Comunitárias Rurais e a ELAA – Escola Latino-americana de Agroecologia.
      • Apoio para a criação de Escolas em alternância, como as Escolas Famílias Agrícolas – EFA.
      • Garantia do transporte escolar levando crianças e jovens do campo para o campo e não para a cidade.
      • Não fechamento das escolas no campo;
    5. Educação do Campo em todos os níveis.
      • Escolas do Campo em todos os municípios, inclusive com ensino médio politécnico e escolas na área técnica agropecuária / agroecológica.
      • Ampliar cursos técnicos e superiores para jovens filhos de agricultores camponeses e da agricultura familiar dentro de uma metodologia própria e apropriada ao campo;
      • Ensino Superior presencial voltado para a agricultura camponesa (agronomia, agroecologia, medicina veterinária, engenharia florestal, administração e desenvolvimento rural, engenharia de alimentos, gestão ambiental, …)
      • Cotas nos cursos superiores voltados para a agricultura camponesa (agronomia, veterinária, administração rural, agroindustrial, agroecologia, engenharia de alimentos) nas Universidades e Institutos Federais, bem como Universidades Estaduais, aos jovens filhos de pequenos agricultores.
    6. Fortalecer o PRONERA e criar um PRONEAC – Programa Nacional de Educação e Agricultura Camponesa, semelhante ao PRONERA, para agricultura familiar camponesa..
    7. Capacitação para a juventude rural visando fortalecer a agricultura camponesa:
      • Formação com os jovens com temas por eles escolhidos, como: resgate da agricultura, agroecologia; organização, reforma agrária, cooperação;
      • Projetos de capacitação do jovem, utilizando o aperfeiçoando de programas já existentes como o Pró-jovem do campo, Consórcio Social da Juventude.
    8. Que o PRONATEC CAMPO, seja executado por instituições reconhecidas pelo seu trabalho junto a juventude camponesa, como as EFAs e ONGs que já desenvolvem esse, por exemplo.

 

  1. MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA NO CAMPO

 

  1. Infraestrutura básica para todas as comunidades camponesas: acesso a energia elétrica, água potável, atendimento público de saúde, acesso a meios de informação e comunicação (sinal de celular e internet gratuita), entre outros;
  2. Acesso a Infraestrutura básica:
    • Acesso à Água potável;
    • Apoio a alternativas de armazenamento da água da chuva, como cisternas de placa para as regiões secas;
    • Apoio a proteção das fontes e nascentes;
    • Acesso a Energia;
    • Manutenção das estradas rurais;
    • Acesso a Moradia via PNHR – Programa Nacional de Habitação Rural: crédito para jovens poderem construir suas casas no lote dos pais;
  3. Acesso a Cultura
  • Toda comunidade rural ter uma biblioteca de literatura básica;
  • Acesso ao Cinema na Roça;
  • Programas de apoio a grupos de teatro;
  • Criação de centros de cultura, esporte e lazer para a juventude nas comunidades rurais, promovendo, por exemplo, aulas com instrumentos musicais, práticas esportivas, danças regionais, teatro, cinema da terra, entre outras.
  1. Inclusão digital (acesso a informação)
  • Sinal de celular na roça
  • Acesso a internet gratuita

 

O QUE QUEREMOS IMEDIATAMENTE DO GOVERNO FEDERAL:

  1. Economia Solidária – Construir parceria com a SENAES para incluir 325 GPRs em parceria com a SENAES.
  2. Fomento para 386 grupos de GPR, no valor de R$ 40.000,00, para este ano;
  3. Capacitação para 3.000 jovens em vista da geração de renda nos estados (200 turmas);
  4. Contratação de 30 técnicos agrícolas, jovens, formado pelas EFAs e ELAA, para apoio aos Grupos de Produção e Resistência (isto a cada ano); 1 técnico para cada 10 grupos.
  5. Apoio a Festivais Regionais da juventude camponesa, (10) e para intercambio de experiência agroecológicas e socialização dos GPR.
  6. Apoio à Feira e Intercambio Nacional da Juventude Camponesa 800 jovens, com os eixos: (Juventude Camponesa, Economia Popular Solidária, Agroecologia Convivência com o semiárido)
  7. Apoio para as EFAS.

 Equipe de Negociação Nacional:

Paulo Mansan –   PE                 (81) – 998553121

Gilmara Francy – RN                 (84) – 991367997

Kleitinho         –       PB                 (83) – 987736754

 

A Juventude Camponesa e a sua organização social e política: O território como categoria analítica

 

MARIA DE FÁTIMA ALVES1

JANAINA FRANCISCA DE SOUZA CAMPOS VINHA2

 

 Resumo

Frequentemente os jovens são abordados pelo viéis da migração, sem destacar a sua importância como categoria política e social que se organiza para a construção de um projeto de desenvolvimento territorial camponês para o campo brasileiro. São jovens marcados (as) pela desigualdade de genêro e geração, além disso, o modelo hegemônico da agricultura, o agronégocio, traz um cenário de contradições que afeta diretamente a condição de vida da juventude camponesa. Sendo assim, esse  trabalho busca realizar as primeiras aproximações sobre as experiências e a organização dos jovens rurais em Grupos de Produção e Resistência (GPR), sua relação e contribuição para ressignificar e construir o território camponês.

Palavras-chave: Juventude camponesa; Território camponês; Organização política.

Abstract

Often young are addressed by migration viable without highlight its importance as a political and social category that is organized for the construction of a territorial development project for the Brazilian peasant field. Young are labeled the inequality of genre and generation, moreover, the hegemonic model of agriculture, agribusiness, brings a set of contradictions that directly affects the living conditions the peasant youth. Thus, this work seeks to accomplish the first approaches on the experiences and the organization of rural youth in Production Groups and Resistance (PGR), their relationship and contribution to reframe and build the peasant territory.

Keywords: Peasant youth; Peasant territory; Organization policy. Continue reading “A Juventude Camponesa e a sua organização social e política: O território como categoria analítica”

Rede GPR divulga resultado final concurso

Foi divulgado nesta segunda-feira, dia 30 de novembro, o resultado final do Concurso “Boas Práticas Juvenis de Convivência com o Semiárido”, realizado pela Associação da Juventude Camponesa Nordestina – Terra Livre, no âmbito da parceria com o Programa Semear (FIDA/IICA/AECID).
Cinco experiências foram premiadas e receberam um prêmio de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para fortalecerem suas ações de convivências com o semiárido e de produção agroecológia. Os grupos premiados são dos estados de Pernambuco, Bahia e Sergipe.
Clique no anexo para visualizar o resultado final do concurso.
Foto: GPR do Município de Porto Folha – Sergipe.

Concurso divulga as 10 experiências pré-selecionadas

        O Grupo Gestor Nacional da Rede GPR Brasil já pré-selecionou as 10 experiências do Concurso Boas Práticas. Agora, cada uma deve enviar até o dia 23 de novembro o Plano de Investimento (anexo B do Edital) Clique aqui para ver:
O resultado final, com a relação das 5 melhores práticas juvenis de convivência com o semiárido será divulgado no dia 30 de novembro.
Foto: ASA.

Lançado o Concurso nacional de Boas Práticas de Convivência com o Semiárido e de Agroecologia para os grupos GPR´s

Na próxima quinta-feira, dia 22 de outubro, começam as inscrições do Concurso de Boas Práticas de Convivência com o Semiárido e de Agroecologia dos Grupos de Resistência e Produção (GPR), que compõem a Rede GPR Brasil. Serão premiadas 5 experiências, cada uma receberá o prêmio de cinco mil reais, para ser investido no fortalecimento da experiência. Os premiados deverão devolver, em até 2 anos, 50% do valor do prêmio que fortalecerá o Fundo Rotativo Solidário da Rede GPR.

A iniciativa é uma ação do projeto “Boas Práticas Juvenis de Convivência com o Semiárido”, executado pela Associação da Juventude Camponesa Nordestina – Terra Livre e apoiado pelo Programa Semear (FIDA/IICA/AECID).

Abaixo podem ser acessados o Edital e seus anexos, qualquer dúvida podem ser esclarecidas através do correio eletrônico gprsemear@gmail.com.

RegulamentoConcurso_final

ANEXO A-Ficha de inscricão

ANEXO B -Plano de Investimento