Encontro regional da Pastoral da Juventude Rural (PJR) da região sudoeste da Bahia

No ultimo final de semana, 29 e 30 aconteceu o primeiro encontro regional da Pastoral da Juventude Rural (PJR) da região sudoeste da Bahia, na cidade de Cordeiros.

O encontro teve o objetivo de formação, organização da PJR nas comunidades de Cordeiros e região sudoeste, com os grupos de base existentes nas comunidades de Agreste, Tremedal, Poço da Pedra, Manoel Vitorino e junto com a articulação da Comissão Pastoral da Terra, CPT na região.

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Foto: Joabes Casaldáliga

Dividido em dois momentos, com uma analise conjuntural do atual momento que vivemos, Vinicius, do MAM-Movimento Pela Soberania Popular na Mineração, trouxe elementos do atual contexto politico para as comunidades do campo, no qual na sua análise, ele não ver muita luz à não ser pela luta popular de ocupação de seus espaços. Vinicius trouxe um histórico da realidade brasileira culminando no golpe de 2016 onde o que estava em pauta era a retirada de direitos dos povos. O campo foi o mais atingindo, as comunidades tradicionais e a juventude que estão inseridas nesses espaços.

O jornalista do site Meus Sertões, Paulo Oliveira, parceiro da PJR, expôs um pouco da atuação do site nas comunidades sertanejas e que tem o objetivo de contar as historias do povo do sertão nas cidades do semiárido brasileiro.

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Foto: Joabes

Daniela, da PJR Bahia, da cidade de Monte Santo, apresentou a PJR no seu contexto histórico de criação, sua mística e as pautas de luta junto à juventude camponesa. Daniela, ainda fez um resgate dos 35 anos da PJR a nível nacional, os encontros, assembleias e seminários até os dias de hoje. Os jovens fizeram uma exposição das suas demandas na região com uma conclusão que devemos ter uma pastoral mais presente nas comunidades articulando as juventudes desses espaços.

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Foto: Joabes

Ao final do encontro saímos com o compromisso de nos inserirmos no contexto politico tanto local quanto em instancias de debates nacional, dizendo ELENÃO e contra todo retrocesso que o horizonte nos aponta neste atual momento. Também tiramos uma agenda de visita e nomeamos uma nova equipe de coordenação na região com representatividade das cidades presentes.

#ELENÃO
PJR, MISTICA, LUTA E RESISTÊNCIA!

Fonte: Comunicação PJR da Bahia

Publicado por Comunicação da PJR Brasil

CARTA CONVITE: PASTORAL DA JUVENTUDE RURAL (PJR) BAHIA

Alumiado e guiado pela luz do camponês de Nazaré, com a força da mística da nossa juventude camponesa, das comunidades tradicionais onde estão inseridas, cantando sua mística, plantando sua terra, cuidando do espaço sagrado (a mãe terra). Espaço onde nossas raízes se fazem luta, convivência contextualizando a realidade de cada jovem mulher e cada jovem homem.
Com espírito de um novo tempo, tempo este que requer de nós luta e muita reflexão para pautarmos nosso espaço como prioridade na atual conjuntura que vivemos, com tantas propostas nascendo neste tempo onde não vemos muita luz num horizonte próximo. Isso requer de nós olharmos o horizonte, com um olhar especial aos povos tradicionais, as comunidades, a juventude do campo, que serão aqueles/as os mais atingidos por este modelo capitalista pautando retirada de direitos.
Com o olhar e sobre as luzes do Senhor Bom Jesus da Boa Vida, com a doçura e protegidos com o manto sagrado da nossa mãe, Nossa Senhora da Soledade, padroeiro/a, que iremos nos reuni na cidade de Cordeiros, semiárido do sudoeste da Bahia, nos dias 29 e 30 para dialogarmos com as juventudes do campo e da cidade, no primeiro encontro regional da Pastoral da Juventude Rural (PJR). Encontro que tem o objetivo de formação e articulação com as bases.
Fé, luta e mística, elementos essenciais para acolhermos as juventudes das comunidades rurais e urbanas que virão. Fé, porque acreditamos na luz de Cristo para nosso caminhar inspirado pelo Evangelho. Luta, porque cremos em dias melhores que só acontecerá com a força da nossa juventude dialogando num projeto de sociedade popular e unitário. Mística, porque somos filho da mãe terra e acreditamos no encanto, na reza, na devoção popular que inspira-nos avançar cantando alegres.
Venham! Tragam luzes, alegrias, tragam o que a juventude tem de melhor… seus encantos, tragam seus cantos para cantar!
PJR, MÍSTICA, LUTA E RESISTÊNCIA!

PJR potiguar realizou seu III Encontro Estadual da Juventude Camponesa

Visando as discussões sobre o fortalecimento da identidade juvenil camponesa, norteado pelo tema juventude rural e superação da violência e, lema juventude que ousar lutar fazendo do campo um melhor lugar. É que a Pastoral da Juventude Rural [PJR] do Rio Grande do Norte realizou entre os dias 17 a 19 de agosto de 2018, o III Encontro Estadual da Juventude Camponesa na cidade de João Câmara/RN.

O evento contou com a presença de 50 jovens vindos da região do Mato Grande, Potengi e Agreste Litoral Sul, que animadas e animados pelo evangelho libertador dispuseram-se a refletir sobre as suas vivências no campo e a importância da afirmação de uma identidade camponesa, enquanto jovens atuantes em suas comunidades. Outra pauta importante, que permeou as discussões foi sobre o crescimento da violência no campo, que tem feito a cada dia mais vitimas.

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O encontro também propiciou um espaço de discussão sobre feminismo, que foi mediado por Michela Calaça, militante do Movimento de Mulheres Camponesas [MMC], que teceu importantes considerações sobre feminismo camponês e popular, como também ressaltou sua importância para superação das práticas de subordinação das mulheres aos homens. Com isso, torna-se tão importante e urgente a realização de espaços como estes, a fim, de desmistificar os postulados, centrado na visão masculina de que as mulheres são inferiores tanto física quanto intelectualmente.

No que concerne as Questões Agrárias, foi realizada uma roda de conversa, mediada por Elizângela Cardoso, que é indígena e doutoranda em Serviço Social que trouxe como elementos norteadores para a conversa, a “Questão agrária e realidade da juventude do campo”. Como o campo, nos últimos anos tem sido alvo constante da violência, torna-se cada vez mais importante a realização de ações que vise coibir o alastramento de tais práticas.

Como a Campanha da Fraternidade de 2018, trata da superação da violência, foi proporcionado um espaço também nesse sentido, que foi conduzido por Adriana da Cáritas, que destacou a importância da campanha deste ano, e a urgência de políticas direcionadas a superação das várias violências impostas à sociedade.

Referentes a encaminhamentos, foram ressaltadas algumas lutas que estão sendo travadas no cenário nacional, e que exige da juventude participação ativa, tivemos a exposição da companheira Valéria e do companheiro Edson, militantes do Levante Popular da Juventude sobre o Congresso do Povo, que está sendo realizado em vários recantos do país, em defesa da democracia. João Cabral, que é candidato a deputado estadual, também ponderou sobre sua história de engajamento nos grupos da Pastoral da Juventude do Meio Popular [PJMP] e no sindicato dos trabalhadores e trabalhadoras da agricultura familiar.

Por fim, não poderíamos deixar de ressaltar a homenagem lograda a Paulo Bento, que integrou a Animação dos Cristãos no Meio Rural [ACR], onde dedicou boa parte de sua a vida, na luta por um campo melhor e, que nos últimos dias de sua vida, disse uma belíssima frase que “já poderia descansar em paz, pois os jovens da ACR e PJR estavam assumindo a luta”.

Editado por Comunicação Nacional da PJR, via Comunicação da PJR/RN.

MOÇÃO DE REPUDIO, EDUCAÇÃO DO CAMPO DIREITO NOSSO DEVER DO ESTADO

Pastoral da Juventude Rural – PJR

   Diocese de Crateús-Ce

Moção de repúdio

              Os movimentos e pastorais sociais dos Sertões de Crateús e Inhamuns, região noroeste do Estado do Ceará, congregados à Associação Escola Agrícola de Ipueiras (AEFAI), que há quase uma década vem trabalhando incansavelmente para ver efetiva uma EFA em Ipueiras. Projeto esse, demanda antiga dos movimentos sociais, proposta pela já mencionada Associação ao Governo do Estado do Ceará que, para tanto, obteve financiamento do Governo Federal para a construção da estrutura física, com o compromisso de financiamento por 20 anos.

                 Entendemos as dificuldades do Estado em vários aspectos na implantação da primeira Escola Família Agrícola da Rede Pública Estadual, porém, é inaceitável o que presenciamos neste mês de agosto, que por ocasião da decisão do Governo de inaugurar a referida unidade escolar, a contratação de servidores: vigilantes e auxiliares de serviços gerais, bem como a lotação de um coordenador escolar e 4 professores, sem a observância mínima se os mesmos conhecem a metodologia e proposta de trabalho adotada nas EFA’s.

                Assim, enfatizamos que algo que começa errado jamais pode dar certo, pois o sonho, a idealização e finalmente a execução do projeto e construção da EFA Padre Eliésio dos Santos, tão almejada pelas famílias dessa região, não pode servir de acordo espúria entre as oligarquias locais, não pode ser “sequestrada”. Tais ações comprometem totalmente a missão da Escola, assim, solicitamos providências urgentes para assegurar o cumprimento do objetivo da estrutura financiada e construída. Por isso, fazemos este apelo, um grito por socorro, acreditamos na EFA que sonhamos!

            Desse modo, não aceitaremos, jamais, uma coordenação escolar e docentes biônicos que, impostos a esta EFA, possam afastar as famílias, a comunidade, as organizações da sociedade civil e a própria Associação deste projeto. Sendo assim, também não compactuamos com uma seleção de alunos conduzida por tão desmantelada composição. Diante de tal questão, nos resta denunciar e repudiar tão lamentável situação.

Educação do campo é direito, não esmola!

Fora oportunistas e aproveitadores!

Queremos uma EFA de verdade!

Emitem a moção conjuntamente:

Coordenação da PJR da Área Pastoral de Sucesso;
Coordenação da PJR da Paróquia de Ararendá;
Coordenação da PJR da Paróquia de Independência;
Coordenação da PJR da Paróquia de Ipueiras;
Coordenação da PJR da Paróquia de Nova Russas;
Coordenação da PJR da Paróquia de Novo Oriente;
Coordenação da PJR da Paróquia de Quiterianópolis;
Coordenação da PJR da Paróquia de Tamboril
Coordenação Diocesana da PJR da Diocese de Crateús;
Comissão Diocesana da PJR da Diocese de Crateús;
Articulação da PJR do Regional Nordeste 1 da CNBB (Ceará).

MOÇÃO DE SOLIDARIEDADE AS COMPANHEIRAS E AOS COMPANHEIROS EM GREVE DE FOME EM BUSCA DE JUSTIÇA NO STF

A Pastoral da Juventude Rural (PJR) vem prestar solidariedade as companheiras e aos companheiros da Via Campesina Brasil, Zonália Santos, Rafaela Alves, Jaime Amorim, Vilmar Pacífico, Frei Sérgio Gorgen e Luiz Gonzaga (Gegê), da Central dos Movimentos Populares (CMP). Que se encontram em greve de fome como um ato de coragem e de enfrentamento na busca pela retomada da democracia, justiça no STF, assim denunciando a retirada de direitos, o aumento criminoso e vertiginoso da fome, e diversos retrocessos no governo ilegítimo de Michel Temer, além disso, em luta pela liberdade do companheiro lula.

Essa denuncia feita contra a volta da fome no país, pode também ser analisada a partir das distintas fomes que os povos do campo vêm sofrendo nesses últimos anos, como o aumento da violência, extermínio das juventudes, fechamento das escolas do campo, a falta/desmonte das políticas agrárias, entrega do patrimônio nacional com a venda do Pré Sal, além da fome por democracia.

            Esse sacrifício que vem sendo protagonizado por cada um e cada uma de vocês, nos mostra o compromisso com a luta popular e com a defesa da liberdade dos povos, renovando nossas energias para a construção do projeto popular.

Nós, a juventude camponesa, nos sentimos representados e encorajados a partir do ato de rebeldia da greve de fome, pois a mesma nos mantém motivados para que continuemos firmes e em luta permanente. Estamos juntas e juntos nessa luta e que sigamos guiados pela mãe Gaia.

“Saber esperar sabendo e ao mesmo tempo forçar as horas daquela urgência que não permite esperar…”

Dom Pedro Casaldáliga

Recife, 05 de Agosto de 2018.

Mais registros!

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Jovens resistem no Semiárido com produção agroecológica

Do plantio até a comercialização, tudo é feito pelas famílias.

Vanessa Gonzaga

Leer en español | Brasil de Fato | Campina Grande (PB),

Essa foi a segunda etapa do Intercâmbio entre Agricultores e Agricultoras de Regiões Áridas e Semiáridas do Mundo. - Créditos: Vanessa Gonzaga
Essa foi a segunda etapa do Intercâmbio entre Agricultores e Agricultoras de Regiões Áridas e Semiáridas do Mundo. / Vanessa Gonzaga
Durante essa semana, 20 intercambistas da Guatemala, Chile, El Salvador e Honduras visitaram áreas de produção agroecológica em regiões semiáridas da Paraíba e Pernambuco. Essa foi a segunda etapa do Intercâmbio entre Agricultores e Agricultoras de Regiões Áridas e Semiáridas do Mundo. A atividade, organizada pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), em conjunto com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), tem o objetivo de promover trocas de experiências, técnicas e saberes entre agricultores e agricultoras de países da América Latina, África e Europa, que possuem regiões com clima, quantidade de chuvas e ecossistemas similares.
Em abril desse ano, 13 agricultores e agricultoras, dos 10 estados que compõem o semiárido brasileiro, visitaram experiências em El Salvador e Guatemala, países da América Central que, em conjunto com Honduras e Nicarágua, formam o Corredor Seco da América Central. A região tem semelhanças com o Semiárido não apenas geográficas, mas também nas diversas formas e métodos que as organizações camponesas criam e aperfeiçoam para produzir alimento para o gado, aumentar o plantio, e o mais importante, armazenar água da chuva para o consumo, de forma que a escassez seja evitada nas regiões.Uma das experiências que encantou a equipe de visitantes fica na comunidade Carrasco, zona rural da cidade de Esperança, que faz parte do Pólo da Borborema, no interior da Paraíba. Lia e Miguel tiveram oito filhos, mas apenas três, Delfino, Jacira e Almir, decidiram desde muito cedo ficar na terra e continuar produzindo. Delfino Oliveira decidiu ficar para continuar o trabalho dos pais e por ver na produção de alimentos uma forma de conciliar bem estar e trabalho. Denise, sua esposa, é da cidade de Ipojuca, na região metropolitana de Pernambuco e decidiu que também trabalharia com a agricultura. “Meu pai é de Pernambuco e minha mãe daqui, como meu pai morreu a gente veio para cá tem uns 10 anos”. Os dois jovens dividem as atividades de plantio, cuidado com os animais, beneficiamento e venda dos produtos.

Dando continuidade ao trabalho dos pais, Delfino e Denise expandiram e aumentaram a variedade da produção acessando uma série de políticas públicas, como o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), o Fundo Rotativo Solidário, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que destina alimentos livres de agrotóxicos e vindos da agricultura familiar para escolas públicas.

Com a contribuição desses programas, foi possível construir uma cisterna com capacidade de 52 mil litros, que garante a produção durante o ano inteiro, um biodigestor que transforma esterco de animais em gás de cozinha, que fez com que a família diminuísse muito os gastos com botijões de gás, comprados agora apenas uma vez ao ano como reserva, caso os métodos alternativos falhem, o que em três anos nunca aconteceu, e também um fogão à lenha ecológico construído de alvenaria com um mecanismo que evita que a fumaça fique dentro dos cômodos da casa e utilizando apenas madeira excedente de outras atividades da fazenda, evitando o desmatamento e contribuindo para a alimentação própria e a transformação da matéria prima produzida pela família em produtos processados.

Em apenas 2,5 hectares de um terreno íngreme e com pouco índice de chuvas, eles produzem feijão, milho, macaxeira, laranja, cajá, graviola, alface, couve e plantas medicinais, mas também fazem outros produtos a partir disso. “Além das frutas, a gente faz polpas e mel com duas variedades de abelha, a uruçu, que é sem ferrão, e a italiana. A gente tira nosso sustento todo daqui, ninguém trabalha fora”, reforça a agricultora. Com a variedade da produção, os lucros vindos têm servido para comprar mais lotes de terra e ampliar o plantio. O plantio, baseado na policultura, sem uso de agrotóxicos ou transgênicos e vendido para cidades da região vem sendo ameaçado pelo agronegócio, mas a família resiste. “O dono das terras aqui do lado é um grande proprietário. Ele vem destruindo a mata nativa para plantar capim transgênico e com veneno. Derruba toda a mata nativa, causa enxurrada e isso leva os nutrientes da terra. Isso prejudica a fertilidade do solo inteiro, inclusive do nosso. Mas mesmo assim nós conseguimos produzir durante os períodos de seca e eles não”.

Além disso, os cortes nos investimentos destinados à agricultura familiar diminuíram a renda. Com o PNAE, Delfino e Denise já chegaram a lucrar cerca de R$ 8000,00 por semestre, mas este ano o lucro diminuiu para R$ 3500,00.

Os problemas não os desanimou de continuar produzindo e resistindo. Do plantio à venda dos alimentos, tudo é feito pelo grupo, o que garante preços baixos e confiança com os clientes, que sabem a procedência de tudo que é vendido nas feiras agroecológicas organizadas em 12 cidades da região pela Associação de Agricultores e Agricultoras Agroecológicos, a EcoBorborema. Todos os alimentos vendidos nas feiras são certificados e isso gera um clima de credibilidade, não apenas com os consumidores nas feiras, mas também com órgãos institucionais. Denise, que vai à feira constantemente observa quem são seus clientes. “A gente não vende só, na feira, tem vizinho que vem andando das roças vizinhas pra comprar do nosso. Outra coisa é que na feira muitos agricultores que plantam com veneno não comem a própria produção, aí acabam comprando o nosso porque sabem que é agroecológico”. Com a Associação, a feira que acontece todas as sextas no centro da cidade tem quebrado mitos como o de que o preço dos alimentos agroecológicos é maior do que os convencionais, o que não procede, já que não há atravessadores ou revenda de produtos e tudo é vendido na própria região, sem dificuldade de transporte, impactando em preços iguais ou até mais baixos em relação aos alimentos produzidos com veneno.

A partir da troca de experiência com agricultores e agricultoras, a experiência de Delfino e Denise tem se tornado um exemplo na região de como os jovens podem ter uma alternativa ao êxodo rural e ao agronegócio, produzindo alimentos saudáveis e com grande escoamento a partir das feiras agroecológicas. Quando é questionado se deixaria a produção para viver na cidade ou trabalhar como assalariado rural, Delfino responde “Eu nasci e me criei aqui, foi naturalmente. Não saio daqui porque é a forma de valorizar tudo o que meus pais fizeram e também de produzir alimentos saudáveis não só pra gente, mas também pra quem compra”.

*A repórter viajou a convite da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).

Edição: Monyse Ravenna

Juventude do Campo e da Cidade de todo o canto do país na defesa do direito a água

“ Água e Energia não são mercadorias.”

O Grupo de Juventude de Teatro do FAMA( Fórum Alternativo Mundial da Água), de vários Movimentos Populares de 14 Estados do país estiveram presentes nesse domingo (04) no Bazar Vermelho da Companhia Burlesca, que aconteceu no Eixo Norte, Brasília-DF. Através de intervenções e muita música os jovens levaram a mensagem de luta contra a privatização e mercantilização dos recursos hídricos brasileiros.

                Contrapondo o FMA (Fórum Mundial da Água), onde o governo golpista de Michel Temer se reunirá entre os dias 17 e 22 de março, juntamente com grandes corporações transnacionais, como a Nestlé, Ambev e Coca-Cola, com o objetivo de negociar a privatização da água do país, estará acontecendo o FAMA, onde Movimentos Populares, Sindicatos e ONGs se reuniram em defesa da água.

 

Postado por Comunicação da PJR

 

Escola Nacional de Formação da PJR

“Caminhando e cantando /E seguindo a canção /Somos todos iguais /Braços dados ou não /Nas escolas, nas ruas /Campos, construções”.

Refletir a caminhada e formar novas lideranças para o trabalho de base junto a juventude camponesa, é que foi realizada entre os dias 14 a 20 de Janeiro de 2018, na cidade de Lajinha em Minas Gerais a Escola Nacional de Formação da Pastoral da Juventude Rural – PJR Rosa Maria Fortini, jovens de vários recantos do país marcaram presença, neste momento de formação, compartilhamento e vivência.

Tendo como homenageada a companheira Rosa Maria Fortini que contribuiu no trabalho de base junta a juventude camponesa mineira em sua formação durante toda a sua vida. A PJR mineira e sua juventude acolheu todos os estados presentes e mostrou os trabalhos de bases que tem feito com a juventude do Campo no estado, e a articulação com os jovens e as jovens das comunidades.

Segundo Josiel Alves da PJR da Paraíba “a escola foi bastante construtiva ao longo das atividades realizadas, onde a juventude presente mostrou-se inquietante com a atual conjuntura, principalmente no campo, e mostrou-se comprometida na construção do Reino de Deus.

Ana Beatriz também da Paraíba, relata a sua participação, e o que ela achou da escola de formação “gostei muito da experiência de estar participando da Escola Nacional de Formação Rosa Maria Fortini em Minas Gerais. Foi uma oportunidade muito boa, em que partilhamos momentos de saberes com outras e outros jovens camponeses. Um dos momentos mais legais foi a visita a propriedade de um companheiro, onde tem uma plantação agroecológica de café e outras plantas frutíferas,como laranja, abacate, abacaxi”.

Ela ainda ressalta a importância da visita a propriedade e de conhecer um pouco do manejo que o dono utiliza no trato com sua plantação, “uma forma diferente de manejo que não usa o agrotóxico uma coisa difícil de ser presenciada nos dias atuais com todo esse veneno que consumimos dia a dia, outro ponto importante nessa família com praticamente 15 pessoas sendo, os país e os filhos que tomando conta da plantação de café e da mãe terra, foi uma vivência que marcou muito essa escola regada de bons saberes, que quero sempre compartilhar”.

Que a vivência durante o curso de formação renda bons frutos, que a juventude camponesa presente reflitam sobre o trato com a mãe terra, compartilhando as experiências vividas com o jovens de sua base, refletindo sobre a importância da organização juvenil, para o fortalecimento das relações sociais de pertencimento com a terra e as causas da sociedade. Diante de um governo golpista, que visa um Estado mínino, retirando direitos afetando sempre os mais necessitados.

Rosa Maria Fortini: PRESENTE, PRESENTE, PRESENTE

CONFIRA O ÁLBUM

Postado por Comunicação da PJR

Recuar para saltar melhor

Por Leonardo Boff

Via Brasil de Fato

“O ano que entra, 2018, promete ser um ano carregado de tensões”

O Natal não é apenas uma pausa na labuta pela vida, tempo denso para o encontro festivo com os familiares e amigos ao redor da celebração do Puer aeternus, o nascimento de Deus sob a forma humana.

A antropologia cristã irá afirmar que o ser humano só será plenamente humano, se a Última Realidade, Deus, se fizer também humana. Ensinavam os Padres antigos que “Deus se fez homem (ser humano) para que o homem se fizesse Deus”.

Por detrás está a compreensão, também dos modernos, de que o ser humano é movido por um desejo infinito que somente descansa quando identificar no seu  processo de individuação uma Realidade igualmente infinita, a ele adequada. É a experiência de Santo Agostinho do cor inquietum (o coração inquieto) que só se aquieta quando encontra finalmente o Infinito desejado.

Esse dia maior possui também um significado antropológico relevante: reforça valores e sonhos que nos devem sustentar por toda uma vida, ao menos, por todo um ano, sonhos de paz, de reconciliação, de solidariedade e de amor. O ano que entra, 2018, promete ser um ano carregado de tensões e até de violências no mundo e no Brasil.

No mundo há o risco de que dois líderes políticos, o presidente estadunidense e o chefe político da Coréia do Norte, perderem o sentido da vida humana e a responsabilidade pela Casa Comum e deslancharem um processo de guerra com armas nucleares que podem pôr em risco a biosfera e as condições vitais da civilização humana. Não se pode brincar com o princípio de auto-destruição que nossa civilização tecnológica irracionalmente criou.

Não devemos esquecer também os lugares de grande periculosidade para o nosso futuro: o Oriente Médio, a questão palestina nunca resolvida e agora agravada pela intervenção do presidente Ronald Trump ao declarar Jerusalém a capital exclusiva do Estado de Israel, destruindo as pontes frágeis de diálogo e de negociação entre israelenses e palestinos.

Seria insensibilidade demasiada de nossa parte, não nos referirmos aos milhões de famintos do mundo, especialmente aos condenados de morrer de fome na África, adultos e, principalmente, crianças. É uma via-sacra de sofrimento, tanto mais doloroso quanto temos consciência de que poderíamos evitá-lo totalmente, pois dispomos de condições tecnológicas e financeiras para oferecer a cada um dos habitantes deste planeta uma vida suficientemente abastecida e decente.

Não o fazemos porque ainda não sentimos o outro como um co-igual, um irmão e uma irmã, um companheiro na curta passagem pela Terra. Não temos vontade ético-política e humanitária. Predomina o individualismo e o egocentrismo dentro da lógica férrea da concorrência sem sinais específicos que nos fazem humanos: a solidariedade.

Vivemos, em termos globais, a clara percepção de uma ruptura civilizatória: vale dizer, assim como o mundo se organiza não pode continuar, pois nos levaria a um caminho sem retorno. Vale repetir o que disse Z. Bauman em sua última entrevista antes de falecer: ”Estamos (mais do que nunca antes na história) em uma situação de verdadeiro dilema: ou nos damos as mãos ou nos juntamos ao cortejo fúnebre do nosso próprio enterro em uma mesma e colossal vala comum”.

O Brasil é o nosso caso particular. Vivemos desde 2016 tempos de grande desamparo e desesperança coletiva, pela deposição até hoje questionada pelas mais lúcidas inteligências jurídicas e políticas de nosso país, dando lugar a um Estado de exceção, com políticas sociais altamente restritivas de direitos conquistados pelo mundo do trabalho e pelos mais vulneráveis, tudo de costas para o povo e à revelia de preceitos constitucionais. Ninguém pode nos dizer qual será o desfecho final da crise de nosso sistema politico-social.

Temos esperança de que o sofrimento coletivo não será em vão. Como diz um provérbio francês: “réculer pour mieux sauter” (recuar para saltar melhor”). Seguramente  sairemos desta crise melhores, com um projeto de nação mais fundacional e soberano. O recuo é para saltar melhor e mais alto. Trata-se de salvar e aprofundar a democracia de cunho eco-social e as liberdades democráticas.

Essa é uma tarefa não apenas desse momento crucial mas tarefa diuturna, consoante as sábias palavras de Goethe em seu Fausto: “Só ganha a sua liberdade e a existência aquele que diariamente as reconquista”.

Estes são meus votos a todos e a todas para 2018.

Leonardo Boff é articulista do JB online. Em fevereiro lançará o livro “Brasil: aprofundar a refundação ou prolongar a dependência” pela Editora Vozes 2018.

Edição: Simone Freire

Postado por Comunicação da PJR