Campanha da Fraternidade 2018 alerta para extermínio da população jovem negra

Lançamento da Campanha da Fraternidade 2018 ocorreu nesta quarta (14) na sede da CNBB, em Brasília

Cristiane Sampaio

Via Brasil de Fato | Brasília (DF)

A Campanha da Fraternidade 2018, lançada nesta quarta-feira (14), em Brasília, traz à tona um dos assuntos mais quentes do debate público nacional. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), responsável pela campanha, escolheu o tema “Fraternidade e Superação da Violência”.

De acordo com o presidente da entidade, cardeal Sérgio da Rocha, a comunidade católica pretende alertar a sociedade e as autoridades para esse fenômeno social que leva à morte de cerca de 60 mil pessoas por ano no país. O dado é do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Segundo o órgão, o país tem apenas 3% da população do planeta, mas responde por 13% dos assassinatos do mundo.

“A violência, em suas múltiplas faces, tem se mostrado, cada vez mais cruel e assustadora. A vida, a dignidade das pessoas, especialmente de grupos sociais mais vulneráveis, têm sido violadas continuamente, por isso sabemos que esse assunto é urgente”, afirmou Sérgio da Rocha.

Tradicionalmente, a Campanha da Fraternidade funciona como um movimento de evangelização que dialoga com a sociedade civil para debater temas de grande ressonância nacional.

Respeito 

O secretário da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Carlos Alves Moura, afirmou que a superação da violência passa pela promoção da solidariedade e da tolerância. Ele ressaltou a importância do respeito às diferenças de cunho político, religioso, social e antropológico.

“Ela [ a campanha] vem num momento muito oportuno porque vivemos num ambiente de desrespeito à pessoa humana, de não reconhecimento da dignidade da pessoa. Isso faz com que nos atropelemos nos caminhos da vida”, considera.

Desigualdade racial 

Em sintonia com a luta por justiça social, Moura chamou a atenção também para o extermínio da população jovem e negra, a maior vítima da violência no país. Ele mencionou, por exemplo, o Mapa da Violência de 2016, que comparou dados estatísticos de 2013 e 2014.

No período, houve queda de 26% no número de pessoas brancas vítimas de homicídio por arma de fogo, ao mesmo tempo em que o número de negros assassinados dessa forma cresceu 40%. Moura ressaltou que as estatísticas refletem as marcas da desigualdade racial.

“[É uma] violência que se assenta em muitas estruturas, que se assenta em muitas posições, mas, no fundo, ela está recheada de um preconceito, de discriminação”, apontou.

Diante dos números, o secretário-executivo assinalou as raízes históricas do preconceito e lembrou que a abolição da escravatura no Brasil é um processo inacabado.

“Mesmo com a aprovação da Lei Áurea, em 1888, em que a escravidão negra passa a ser atividade proibida em território nacional, a liberdade veio e não libertou, não gerou protagonismo, dignidade e libertação”, destacou.

Políticas públicas

O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), coordenador da Frente Parlamentar pela Prevenção da Violência e Redução dos Homicídios, reforçou que o combate ao problema exige a soma de esforços, com interlocução entre atores políticos e sociais.

Ele também destacou a necessidade de combater discursos políticos que abordam a problemática da violência sob uma ótica superficial e ignoram a complexidade do tema. Ele defendeu a implementação de políticas estruturantes, como, por exemplo, de prevenção do problema e de educação, para frear a engrenagem da violência.

“Soluções atraentes, mas equivocadas, que prometem combater violência com mais violência, só vão gerar mais mortes no país. Não é isso que nós queremos. Não é disso que o Brasil precisa”, alertou.

Molon acrescentou que este ano a Frente deve apresentar uma série de propostas relacionadas às obrigações da administração pública para combater o problema. O grupo reúne 198 parlamentares federais de 25 partidos diferentes.

Edição: Mauro Ramos/ Brasil de Fato

Postado por comunicação da PJR

 

Anúncios

Escola Nacional de Formação da PJR

“Caminhando e cantando /E seguindo a canção /Somos todos iguais /Braços dados ou não /Nas escolas, nas ruas /Campos, construções”.

Refletir a caminhada e formar novas lideranças para o trabalho de base junto a juventude camponesa, é que foi realizada entre os dias 14 a 20 de Janeiro de 2018, na cidade de Lajinha em Minas Gerais a Escola Nacional de Formação da Pastoral da Juventude Rural – PJR Rosa Maria Fortini, jovens de vários recantos do país marcaram presença, neste momento de formação, compartilhamento e vivência.

Tendo como homenageada a companheira Rosa Maria Fortini que contribuiu no trabalho de base junta a juventude camponesa mineira em sua formação durante toda a sua vida. A PJR mineira e sua juventude acolheu todos os estados presentes e mostrou os trabalhos de bases que tem feito com a juventude do Campo no estado, e a articulação com os jovens e as jovens das comunidades.

Segundo Josiel Alves da PJR da Paraíba “a escola foi bastante construtiva ao longo das atividades realizadas, onde a juventude presente mostrou-se inquietante com a atual conjuntura, principalmente no campo, e mostrou-se comprometida na construção do Reino de Deus.

Ana Beatriz também da Paraíba, relata a sua participação, e o que ela achou da escola de formação “gostei muito da experiência de estar participando da Escola Nacional de Formação Rosa Maria Fortini em Minas Gerais. Foi uma oportunidade muito boa, em que partilhamos momentos de saberes com outras e outros jovens camponeses. Um dos momentos mais legais foi a visita a propriedade de um companheiro, onde tem uma plantação agroecológica de café e outras plantas frutíferas,como laranja, abacate, abacaxi”.

Ela ainda ressalta a importância da visita a propriedade e de conhecer um pouco do manejo que o dono utiliza no trato com sua plantação, “uma forma diferente de manejo que não usa o agrotóxico uma coisa difícil de ser presenciada nos dias atuais com todo esse veneno que consumimos dia a dia, outro ponto importante nessa família com praticamente 15 pessoas sendo, os país e os filhos que tomando conta da plantação de café e da mãe terra, foi uma vivência que marcou muito essa escola regada de bons saberes, que quero sempre compartilhar”.

Que a vivência durante o curso de formação renda bons frutos, que a juventude camponesa presente reflitam sobre o trato com a mãe terra, compartilhando as experiências vividas com o jovens de sua base, refletindo sobre a importância da organização juvenil, para o fortalecimento das relações sociais de pertencimento com a terra e as causas da sociedade. Diante de um governo golpista, que visa um Estado mínino, retirando direitos afetando sempre os mais necessitados.

Rosa Maria Fortini: PRESENTE, PRESENTE, PRESENTE

CONFIRA O ÁLBUM

Postado por Comunicação da PJR

Recuar para saltar melhor

Por Leonardo Boff

Via Brasil de Fato

“O ano que entra, 2018, promete ser um ano carregado de tensões”

O Natal não é apenas uma pausa na labuta pela vida, tempo denso para o encontro festivo com os familiares e amigos ao redor da celebração do Puer aeternus, o nascimento de Deus sob a forma humana.

A antropologia cristã irá afirmar que o ser humano só será plenamente humano, se a Última Realidade, Deus, se fizer também humana. Ensinavam os Padres antigos que “Deus se fez homem (ser humano) para que o homem se fizesse Deus”.

Por detrás está a compreensão, também dos modernos, de que o ser humano é movido por um desejo infinito que somente descansa quando identificar no seu  processo de individuação uma Realidade igualmente infinita, a ele adequada. É a experiência de Santo Agostinho do cor inquietum (o coração inquieto) que só se aquieta quando encontra finalmente o Infinito desejado.

Esse dia maior possui também um significado antropológico relevante: reforça valores e sonhos que nos devem sustentar por toda uma vida, ao menos, por todo um ano, sonhos de paz, de reconciliação, de solidariedade e de amor. O ano que entra, 2018, promete ser um ano carregado de tensões e até de violências no mundo e no Brasil.

No mundo há o risco de que dois líderes políticos, o presidente estadunidense e o chefe político da Coréia do Norte, perderem o sentido da vida humana e a responsabilidade pela Casa Comum e deslancharem um processo de guerra com armas nucleares que podem pôr em risco a biosfera e as condições vitais da civilização humana. Não se pode brincar com o princípio de auto-destruição que nossa civilização tecnológica irracionalmente criou.

Não devemos esquecer também os lugares de grande periculosidade para o nosso futuro: o Oriente Médio, a questão palestina nunca resolvida e agora agravada pela intervenção do presidente Ronald Trump ao declarar Jerusalém a capital exclusiva do Estado de Israel, destruindo as pontes frágeis de diálogo e de negociação entre israelenses e palestinos.

Seria insensibilidade demasiada de nossa parte, não nos referirmos aos milhões de famintos do mundo, especialmente aos condenados de morrer de fome na África, adultos e, principalmente, crianças. É uma via-sacra de sofrimento, tanto mais doloroso quanto temos consciência de que poderíamos evitá-lo totalmente, pois dispomos de condições tecnológicas e financeiras para oferecer a cada um dos habitantes deste planeta uma vida suficientemente abastecida e decente.

Não o fazemos porque ainda não sentimos o outro como um co-igual, um irmão e uma irmã, um companheiro na curta passagem pela Terra. Não temos vontade ético-política e humanitária. Predomina o individualismo e o egocentrismo dentro da lógica férrea da concorrência sem sinais específicos que nos fazem humanos: a solidariedade.

Vivemos, em termos globais, a clara percepção de uma ruptura civilizatória: vale dizer, assim como o mundo se organiza não pode continuar, pois nos levaria a um caminho sem retorno. Vale repetir o que disse Z. Bauman em sua última entrevista antes de falecer: ”Estamos (mais do que nunca antes na história) em uma situação de verdadeiro dilema: ou nos damos as mãos ou nos juntamos ao cortejo fúnebre do nosso próprio enterro em uma mesma e colossal vala comum”.

O Brasil é o nosso caso particular. Vivemos desde 2016 tempos de grande desamparo e desesperança coletiva, pela deposição até hoje questionada pelas mais lúcidas inteligências jurídicas e políticas de nosso país, dando lugar a um Estado de exceção, com políticas sociais altamente restritivas de direitos conquistados pelo mundo do trabalho e pelos mais vulneráveis, tudo de costas para o povo e à revelia de preceitos constitucionais. Ninguém pode nos dizer qual será o desfecho final da crise de nosso sistema politico-social.

Temos esperança de que o sofrimento coletivo não será em vão. Como diz um provérbio francês: “réculer pour mieux sauter” (recuar para saltar melhor”). Seguramente  sairemos desta crise melhores, com um projeto de nação mais fundacional e soberano. O recuo é para saltar melhor e mais alto. Trata-se de salvar e aprofundar a democracia de cunho eco-social e as liberdades democráticas.

Essa é uma tarefa não apenas desse momento crucial mas tarefa diuturna, consoante as sábias palavras de Goethe em seu Fausto: “Só ganha a sua liberdade e a existência aquele que diariamente as reconquista”.

Estes são meus votos a todos e a todas para 2018.

Leonardo Boff é articulista do JB online. Em fevereiro lançará o livro “Brasil: aprofundar a refundação ou prolongar a dependência” pela Editora Vozes 2018.

Edição: Simone Freire

Postado por Comunicação da PJR

 Os projetos em disputas: uma Igreja em saída ou a Igreja-empresa

Extraído do Blog: Caminho pra casa
O Papa e a Cúria romana: dois projetos de Igreja em disputa

O padre Eduardo Hoornaert, um dos maiores historiadores da Igreja, escreve um artigo exemplar sobre os dois projetos de Igreja em disputa neste momento: o da “Igreja em saída”, do Papa Francisco, a partir do Concílio Vaticano II, e o da “Igreja-empresa”, levado ao auge nos séculos XII e XIII, alicerçado numa estrutura de controle e terror, a Inquisição.

“O Papa Francisco sabe o que está dizendo e é exatamente isso o que o faz encontrar  oposição em certos setores da igreja”, escreve o padre Hoornaert. Houve luta contra o projeto dominante de Igreja, como o registra a “história fraca” do cristianismo, dos franciscanos aos valdenses até João XXIII. Ela só aflorou com força em 1968, na América Latina, na Conferência de Medellín, que assumiu a escolha de uma Igreja pobre de pobres –conforme a expressão do “papa bom”, João XXIII.

Casado, o padre Hoonaert vive a mesma situação de mais 100 mil padres ao redor do mundo:  nunca abandonaram a Igreja. Eles representam 25% do total de sacerdotes no mundo, ao redor de 400 mil. No Brasil, aproximam-se de 1/3 do total de sacerdotes: 5 mil em 18 mil. Esses números não incluem os padres que são casados informalmente ou mantêm atividade sexual regular de maneira mais ou menos clandestina.

Belga de nascimento, aos 77 anos o padre Hoonaert tem uma trajetória impressionante na Igreja. Chegou ao Brasil em 1958 e aqui ficou. Foi professor nos históricos institutos de teologia de João Pessoa (1958-1964), Recife (1964-1982), e Fortaleza (1982- 1991), todos fechados pelo inverno conservador sob o Papa João Paulo II. Foi um dos fundadores da Comissão de Estudos da História da Igreja na América Latina (CEHILA), sendo seu  coordenador para o Brasil entre 1973 e 1978, responsável pelo projeto de edições populares entre 1978 e 1992, e entre 1993 e 2002 responsável pelo projeto História do Cristianismo e é coordenador do projeto História do Cristianismo no 3º Mundo, que publicou em 1995 o livro O Movimento de Jesus (Vozes). É requisitado em todo o país como assessor das Comunidades Eclesiais de Base , as CEB’s.

Autor de vários artigos e livros sobre História do Cristianismo Antigo, História da Igreja e História da Igreja na América Latina e no Brasil. Alguns deles: Formação do Catolicismo Brasileiro – 1550 – 1800 (Vozes, 1978), A Memoria do Povo Cristão (Zahar, 1986), O Cristianismo Moreno do Brasil (Vozes, 1990), Origens do Cristianismo(Paulus, 2016) e Em busca de Jesus de Nazaré – uma análise literária(Paulus, 2017).

Leia o brilhante artigo do padre Hoonaert (publicado originalmente em seu blog e depois em Ameríndia):

1.  O Papa sabe o que está dizendo

O Papa Francisco sabe o que está dizendo e é exatamente isso o que o faz encontrar  oposição em certos setores da igreja. No começo, não se prestou muita atenção ao que ele dizia, porque ele tem um modo manso e tranquilo de falar sem levantar tempestades. Assim, por exemplo, não se deu muita atenção aos discursos do então cardeal Bergoglio a seus colegas cardeais em 9 de março de 2013, poucos dias antes do conclave que o elegeria Papa:

A igreja deve sair de si mesma, rumo às periferias existenciais. Uma igreja autorreferencial prende Jesus Cristo dentro de si e não o deixa sair. É a igreja mundana, que vive para si mesma.

O texto pode ser encontrado no livro Grandes Metas do Papa Francisco, escrito pelo Cardeal Hummes (Paulus, São Paulo, 2017). Ali já se prenunciava a expressão “Igreja em saída”, o que, imagino, muita gente não entende bem. A seguir, procuro colocar essa maneira de falar diante de um amplo painel histórico, pensando que isso ajudará a compreender sua importância.

 2.  Como a Igreja Católica se comporta, a partir da Idade Média diante?

As palavras do Papa alcançam sua verdadeira dimensão quando são colocadas diante do amplo painel da história da Igreja. É preciso voltar aos séculos XII e XIII, até os três grandes Papas da Idade Média: Gregório VII (1073-1085), Inocêncio III (1198-1216) e Bonifácio VIII (1294-1303). Então entenderemos do que é que se trata.

Esses três Papas eram grandes organizadores e conseguiram que a Igreja se tornasse uma grande empresa, controlando a vida de pessoas e as  instituições públicas. Quem não seguia as regras era excomungado (condenado ao inferno). Esses Papas, e toda a Corte que os rodeavam, imaginavam que o crescimento da Instituição cristã implicava automaticamente uma maior divulgação do Evangelho. Esse foi o postulado.

As autoridades se compraziam ao verificar que a empresa-Igreja estava cada vez mais consolidada na sociedade. Assim, a Igreja tornou-se sempre mais e mais autorreferencial (para falar como o Papa Francisco), autocentrada, triunfalista  e narcisista (outra expressão termo usada pelo Papa Francisco).

Os líderes eclesiásticos eram valorizados na medida em que se mostravam bons empresários, como comprova a história dos três pontificados acima mencionados. A eficiência administrativa foi a cada dia mais valorizada. A Igreja estava em um círculo vicioso e não se dava conta. Mirava-se a si mesma e só observava o mundo a partir de si mesma.

O clericalismo crescia exponencialmente, o controle sobre a população aumentava sem parar. Quando as Autoridades eclesiásticas falavam de “reforma da Igreja” (e falavam muito sobre isso), era sempre no sentido de aperfeiçoar os instrumentos de controle sobre a sociedade.

Tudo estava dirigido a esse objetivo: os sacramentos, as paróquias, as indulgências, as devoções, as peregrinações.

Orgulhoso de seus grandes êxitos de engenharia administrativa, a Igreja alimentava,  em seus colaboradores, as tendências carreiristas. Clérigos eficientes podiam contar com um futuro esplêndido, inclusive com aceitação garantida pelo “povo fiel”.

Tudo isso acabou criando uma neurose que se expressou de forma aguda na tão mencionada Inquisição. Essa foi uma trajetória de vontade extrema de controlar tudo, até os últimos meandros da consciência e da imaginação. Durante séculos, uma mentalidade inquisitorial  instalou-se na Igreja e tornou-se a dominante na Hierarquia. A mentalidade inquisitorial  transformou-se em um monstro que devorava tudo, sem poupar sequer os próprios inquisidores.

Porque não era incomum que os inquisidores morressem de medo uns dos outros, já que  todas as pessoas eram potencialmente suspeitas de heresia (“seus pais, seus avós, andaram por aí com um herege ou ouviram uma palavra herética?”). Era um inferno. Todos tinham medo de todos, ninguém confiava em ninguém. A história da Igreja tornou-se um emaranhado de truques, intrigas, conspirações e corrupção.

3.  Movimentos históricos contrários a esta situação

Graças a Deus, nos mesmos séculos XII e XIII surgiram movimentos contrários à Igreja autorreferencial, que prende Jesus Cristo dentro de si mesma, que “sequestra” Jesus Cristo.

Sobressaiu-se naturalmente o movimento franciscano, que tomou o cuidado de não antagonizar a hierarquia, sob pena de ser suspeito de heresia e, assim, ser exposto aos processos de repressão. Os frades que acompanharam Francisco apresentavam-se como auxiliares do clero e, assim, conseguiram a benção do Papa Inocêncio III em 1215.

Porém, nem todos os movimentos tiveram essa sorte.

Os valdenses, por exemplo, recusaram-se a colaborar com o clero e logo foram expostos à crueldade da Inquisição. Eles eram seguidores de Pedro Valdés, um rico comerciante de Lyon que renunciou à sua fortuna e tornou-se um pregador da pobreza evangélica. Os valdenses foram excomungados em 1182 e dois anos depois formalmente declarados “hereges”.

Até hoje o franciscanismo permanece um bom exemplo de um movimento que reage contra uma Igreja “ensimesmada”. Não é por acaso que o atual Papa escolheu o nome de Francisco. Mas, claro, é preciso adaptar o espírito franciscano aos dias de hoje, porque não podemos esquecer que a “vida religiosa”, em geral, até bem recentemente, era organizada em torno do paradigma monástico: os “votos evangélicos” do celibato, pobreza e obediência, vida em casas separadas, como mosteiros, prédios, conventos e casas religiosas.

Este paradigma guiou praticamente todos os movimentos evangélicos por muitos séculos. Será necessário repensar isso, porque é evidente para aqueles que observam o mundo de hoje que o paradigma monástico não funciona mais.

Oriundo de experiências fortes, entre os séculos VII e XII(os Padres do Deserto), esse paradigma está assentado em alguns princípios: o isolamento, o “desprezo pelo mundo” (contemptus mundi, como dizem os livros espirituais), o distanciamento da vida dos casados.

É patente, para aqueles que observam as coisas hoje, que esse paradigma não funciona mais. O princípio monástico está em queda livre, embora permaneça altamente respeitado. A “vida religiosa” pode contar com a simpatia da população, mas não tem a força que tinha antes. Parece algo do passado, um tipo de vida que pode até causar saudade, mas não tem sentido para os dias de hoje.

O mesmo acontece, até certo ponto, com a Igreja em geral. Fora dos círculos eclesiásticos limitados, não se presta mais atenção ao que o Papa ou o Bispo dizem. Não que haja um clima hostil ou rejeição da sociedade, mas não se pode fechar os olhos ao fato de que, na visão de muitos, os modos eclesiásticos são simplesmente “fora do tempo”.

4.  Um fato inesperado

Embora houvesse, desde a Idade Média, esses movimentos em prol da vida evangélica que acabei de evocar, o papado não arredou pé. Durante todos esses séculos, não se falava em pobreza nos altos escalões da igreja. Era tabu. O papa não tomava posição.

É dentro dessa história ‘de longa duração’ que, inesperadamente, duas semanas antes da abertura do Concílio Vaticano II (setembro 1962), numa emissão radiofônica, foi pronunciada, pelo Papa João XXIII, a seguinte frase:

A igreja é de todos, mas é antes de tudo uma igreja de pobres.

Dita sem alarde e sem elevação de voz, como se fosse a coisa mais normal do mundo, essa frase, na realidade, rompeu um silêncio de séculos.

Era a primeira vez que a mais alta autoridade eclesiástica declarava que a pobreza evangélica era um desafio para a igreja. De repente, a fala de Jesus na sinagoga de Nazaré ressoava no Vaticano:

Um Sopro do Senhor está sobre mim: / Por ele fui escolhido para anunciar uma boa notícia aos pobres. / Enviado por ele, declaro aos prisioneiros sua libertação, / Aos cegos a recuperação da vista, / Aos oprimidos a soltura 

(Lc 4, 18-19).

5.  A reação no Concílio Vaticano II.

As palavras papais de setembro 1962 passaram largamente despercebidas. Não foram comentadas nas dioceses e nas paróquias, não foram divulgadas pela grande imprensa ou pela TV, não alcançaram o grande público católico. Mesmo os Padres Conciliares, reunidos em Roma ao longo de três anos, entre 1962 e 1965, mostraram pouco interesse.

Houve, decerto, a fala do Cardeal Lercaro que, num discurso à Assembleia, declarou que o tema da pobreza mereceria ser o ‘único tema do Concílio’. O Cardeal foi profusamente aplaudido. Mas logo depois desceu o manto do silêncio. Não se falou mais em pobreza na Aula Conciliar. Os bispos continuaram com os temas que lhes interessavam: reforma litúrgica, ecumenismo, modelo de igreja, dogma, luta contra o comunismo, seminários e casas de formação, moral, perigo da secularização, do protestantismo e do espiritismo.

A pobreza não foi um tema do Concílio Vaticano II.

Desse modo podemos dizer que o posicionamento do Papa João XXIII pertence à “história fraca” do cristianismo, a história da fragilidade evangélica que, mesmo num Concílio que reuniu os bispos do mundo inteiro, apenas formou uma corrente subterrânea.

6.  A opção pelo pobre

É na América Latina que essa corrente subterrânea aflorou à superfície. Se o Concílio em Roma atribuiu pouca atenção à questão da pobreza de largos setores da humanidade, não se pode dizer o mesmo da Conferência Geral dos Bispos da América latina que se realizou em Medellín (na Colômbia) no ano 1968. Os bispos latino-americanos não se deixaram mais teleguiar pelo “Primeiro Mundo” (principalmente Europa e Estados Unidos), mas assumiram corajosamente uma postura de “Terceiro Mundo”. Enfrentaram a realidade social, econômica e política do continente sul-americano. Fizeram uma opção pelo pobre. Esse slogan não foi puro palavreado, mas representou ações concretas: alguns dos bispos mais atuantes em Medellín passaram efetivamente a manter uma vida em consonância com o modo de viver comum dos povos de suas terras. Na América Latina, a opção pelo pobre continua sendo assumida pela mais alta autoridade eclesiástica ao longo das últimas décadas, como se verifica em textos proferidos nas sucessivas Conferências Episcopais: Puebla 1979; Santo Domingo 1992 e Aparecida 2007.

7.  O vocabulário do Papa Francisco

Será que os cardeais reunidos em Roma para eleger um novo papa, em 2013, entenderam mesmo as palavras que o Cardeal Bergoglio tinha proferido poucos dias antes? Será que eles se lembravam que ele já havia sido um ator importante na Conferência do Episcopado Latino-americano em Aparecida, no ano 2007, quando era arcebispo de Buenos Aires? Naquela oportunidade, ele já se revelara adepto da linha de Medellín 1968. Seja como for, esses cardeais elegeram Bergoglio como novo papa.

Logo depois de eleito, o Papa Francisco assumiu o posicionamento do Papa João XXIII em 1962. Exclamou, três dias depois de eleito:

“Ah! Como eu queria uma igreja pobre e para os pobres”.

As mesmas palavras voltaram no documento Evangelii Gaudium (EG), um dos primeiros por ele assinados: uma igreja pobre e para os pobres, uma igreja que faz opção pelo pobre (EG, 198). Ao longo de sucessivas falas, em diversas ocasiões, o Papa foi criando um vocabulário todo próprio: igreja que se move, que faz opção pelos últimos, que vai à periferia, que sai de si mesma (audiência de 23/03/2013), que anda pela rua (os ‘sacerdotes callejeros’), igreja inclusiva, não excludente, não autocentrada, não narcisista, que não vive para si mesma, não é cartório, igreja inteiramente missionária (EG 34), discípula missionária (EG 40), hospital de campanha, campo de refugiados. Ainda se pode citar EG 195, 197, 198 ou 199.

A expressão de maior realce, dentro desse novo vocabulário, é ‘igreja em saída’:

Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo: os estilos, os horários, a linguagem, numa atitude constante de saída (EG 26-27).

“Igreja em saída” -eis a expressão que resume o posicionamento do Papa Francisco frente à ideologia autocentrada que preautodominou na igreja católica durante séculos e às práticas originadas por essa ideologia.

8.  Um novo tipo de sacerdote

Tudo isso ainda é muito frágil e corre o risco de ser levado pela poeira dos tempos, se não aparecer um novo tipo de padre. Será que, nos dias que correm, esse tipo está se gestando? Depende largamente do futuro das comunidades de base, pois, como diz com argúcia Carlos Mesters, ‘não há comunidade de base sem padre’.

Então, o importante consiste em substituir aos poucos a imagem do sacerdote que aparece na comunidade para celebrar missa, administrar sacramentos, abençoar casamentos, executar ritos e liturgias, pela imagem de um sacerdote que fica no círculo, ao lado de leigos e leigas, escuta e interfere de vez em quando, como orientador ou mesmo como simples companheiro.

Uma passagem difícil, que exige lucidez e determinação, pois sempre é mais fácil voltar ‘às panelas do Egito’. Para um sacerdote, entenda-se, não é fácil viver essa experiência, pois mesmo os sacerdotes de hoje ainda foram formados, nos seminários, para atuar numa Igreja autorreferencial. Muitos não conseguem mudar de visão, embora a situação do mundo, das sociedades e das igrejas tenha mudado nos últimos 50 anos. Mesmo sabendo que a igreja católica perde aos poucos uma posição dominante na sociedade, os sacerdotes experimentam dificuldade em se engajar numa ‘igreja em saída’. Eis o primeiro ponto.

9.  Um novo tipo de leigo/leiga

Será que está aparecendo, na igreja católica, um novo tipo de leigo/leiga, que corresponda aos ditames de uma “igreja em saída”? Nos últimos anos houve diversas iniciativas que visavam ativar a colaboração de leigos e leigas na qualidade de catequistas, professoras, animadores e animadoras, cantoras e cantores, secretários e secretárias paroquiais, ministros da Eucaristia, diáconos, ministros do dízimo, legionários, etc.

São iniciativas de valor, mas, para quem enxerga a perspectiva de uma ‘igreja em saída’, fica claro que elas têm um caráter passageiro. Constituem a passagem entre um laicato totalmente passivo e o laicato que a igreja missionária do Papa Francisco necessita. Cedo ou tarde, o(a) leigo(a) terá de sair de sua posição de inferioridade e dependência em relação ao clero.  Para tanto, ele (ela) terá de questionar o caráter corporativo da atual organização eclesiástica.

Aqui, de novo, um mergulho nas profundezas da memória cristã pode ajudar. Trabalhei esse tema amplamente em meu livro Origens do Cristianismo (Paulus, São Paulo, 2016). Já antes do surgimento do movimento de Jesus existia, no seio do judaísmo, uma tensão entre a estrutura laical das sinagogas e a estrutura sacerdotal do Templo. O movimento de Jesus não adotou o sistema sacerdotal, mas optou resolutamente por um modelo leigo de organização. As primeiras lideranças (bispo, presbítero, diácono) eram leigas, assim como o próprio Jesus fora um leigo. Nos primeiros documentos cristãos encontramos casais, homens e mulheres que trabalham em solidariedade e se reúnem em casas familiares. Para Paulo, um presbítero é um pai de família que tem a confiança da comunidade porque governa bem sua casa (Tit 1, 6-8).

Hoje não verificamos, dentro da igreja católica, senão poucas formações leigas independentes e autônomas, capazes de atuar na sociedade como associações de direito civil e de defender, dentro daquela sociedade, os valores cristãos. Nisso, igualmente, a colaboração daqueles sacerdotes que se mostram dispostos a reassumir a antiquíssima imagem do ‘mestre’, do ‘profeta’ ou do ‘presbítero’, dos primeiros tempos do cristianismo, é preciosa.

Mas o importante mesmo consiste em formar grupos fortes e coesos, alimentados por leituras bíblicas e outras leituras espirituais (como as cartas de dom Hélder ou de monsenhor  Romero, por exemplo), pois não é fácil enfrentar sociedades permeadas de valores capitalistas. No mundo em que vivemos, fica difícil viver o evangelho sem o apoio de uma comunidade forte.

Agricultura da morte: estudo mostra que produtos brasileiros têm alto nível de veneno

Países da União Europeia (UE) são os que mais compram produtos agrícolas com agrotóxicos do Brasil

VIA: BRASIL DE FATO| São Paulo (SP)
 
Ouça a matéria:
 
 
brasil de fatoc_z
Ato em 16 de outubro no Rio da Janeiro, o Dia Mundial da Alimentação Saudável, campanha alerta para os perigos do uso dos agrotóxicos / Fernando Frazão/ Agência Brasil

O atlas “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia” traz como foco as relações comerciais entre as diversas nações e mostra que, apesar da legislação rígida sobre o uso de veneno, grande parte dos países europeus compram produtos do Brasil que possuem altos índices de defensivos químicos.

De acordo com atlas, o Brasil é o grande exportador de açúcar, etanol, soja, milho e café, e tem países da União Europeia como os principais compradores. Fruto de uma pesquisa da geógrafa Larissa Bombardi, professora do departamento de geografia da Universidade de São Paulo, o documento destaca ainda que essa relação entre Brasil e União Europeia possui diversas facetas.

Uma delas diz respeito a quantidade de agrotóxicos usada nos alimentos exportados. De acordo com dados de 2008 da European Environment Agency, os países europeus usam de 0 a 2 kg de agrotóxicos por hectare na agricultura. Já no Brasil, a média é de 8,33kg de veneno por hectare, podendo chegar a 19 kg por hectare em estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

Somente no cultivo da soja brasileira, se permite o uso de um dos agrotóxicos mais nocivos, o glifosato, cerca de 200 vezes mais do que é permitido na Europa.

O Brasil consome 20% de todo agrotóxico comercializado no mundo e, segundo dados de 2016 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em menos de 15 anos o país aumentou em 135% o consumo de venenos na agricultura, passando de 170 mil toneladas nos anos 2000 para 500 mil toneladas em 2014.

Além disso, a autora do estudo analisa o modelo da agricultura brasileira, regida pela lógica da mundialização. A prática tem se consolidado por meio da ampliação das monoculturas, que é quando se produz apenas um tipo de produto agrícola em grandes áreas. A técnica é danosa ao solo e, de acordo com o estudo, tem por consequência o uso excessivo de venenos.

Os impactos do uso de agrotóxicos na saúde dos trabalhadores do campo também são explorados no atlas. Os índices de intoxicação estão concentrados no Centro Sul do país. O Ministério da Saúde afirma que há cerca 8 intoxicações por dia por agrotóxicos no Brasil.

O estudo chama atenção ainda para as notificações sobre o uso dos defensivos para tentativas de suicídios. Em 2013, segundo o Ministério da Saúde, foram 1.796 casos. Em São Paulo, por exemplo, das 2.055 notificações de intoxicação por agrotóxicos, 844 referiam-se à tentativa de suicídio.

O atlas “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia” esta disponível para download no blog da autora.

Edição: Camila Salmazio

Postado por Comunicação Nacional da PJR

Nota de solidariedade e apoio axs companheirxs do MPA

“Alimento para alma, a esperança de dias prósperos e de uma sociedade que se revolte contra as condições a ela imposta, e que a utopia volte a imperar no coração dos e das desacreditadxs”

A PJR – Pastoral da Juventude Rural vem a público prestar o seu apoio irrestrito aos companheiros militantes do MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores, Frei Sergio Görgen, Josi Costa e Leila Denise Meurer que desde o dia 05 de dezembro iniciaram uma Greve de Fome na Câmara dos Deputados em Brasília, em protesto contra à Reforma da Previdência.

A contra Reforma da Previdência, enviada a Câmara dos Deputados pelo governo ilegítimo e golpista de Michel Temer, que está prosseguindo desde 2016 é mais uma medida do pacote de maldades desse governo ilegítimo, que ocasionará em mais retrocessos e perdas de direitos da classe trabalhadora, sobretudo, os trabalhadores e trabalhadoras do campo.

O Projeto de Emenda a Constituição 287 ou (PEC 287), mas conhecido como Reforma da Previdência propõe ao longo do seu texto a necessidade do/a trabalhador/a contribuir durante 49 anos para se aposentar de forma integral, portanto, com todos os benefícios, além disso, exige como idade mínima para homens e mulheres 65 anos. O que na prática é um enorme absurdo, tendo em vista as condições de trabalho e expectativa de vida nas mais diferentes regiões do País.

Já no que se refere aos trabalhadores e trabalhadoras do Campo, o preceito passa a ser o mesmo, portanto, o trabalhador do campo não poderá se aposentar aos 60 anos (homens) e 55 anos (mulheres), com 15 anos de contribuição. A tal Reforma pretendem que todos e todas estejam no mesmo regime de requerimento da aposentadoria, 65 anos para homens e mulheres trabalhadoras do campo e 25 anos de contribuição, o que além de não considerar todas as características e as condições de trabalho no campo, também não leva em consideração as condições financeiras das famílias camponesas para contribuir todos os meses com uma quantia em dinheiro de forma direta, como preconiza a proposta.

Desse modo, a juventude camponesa será extremamente afetada, pois terá de escolher entre trabalhar e estudar, o que já uma situação muito presente, mas que ficará cada vez mais difícil para um/a jovem camponês/a ingressar na universidade, pois terá que ingressar mais cedo no mercado de trabalho para ter as condições mínimas de se aposentar. Além disso, com o fato da contribuição individual do trabalhador/a do campo, sendo que vivermos numa sociedade patriarcalizada, tende a ter apenas uma contribuição da família, o que na sua grande maioria será a do pai, prejudicando os mais vulneráveis de sempre, ou seja, as mulheres e os jovens.

Por tudo isso, reiteramos o nosso apoio ao companheiro e companheiras do MPA que representa toda a classe trabalhadora nesse momento de luta e resistência contra esse governo golpista e esse legislativo onde poucos nos representam.

Coordenação Nacional da Pastoral da Juventude Rural.

Recife/PE, 08 de Dezembro de 2017.

Postado por Comunicação Nacional da PJR

PETROLÂNDIA EM LUTA

Juventudes semeando esperança, organização e resistência!

As juventudes de vários estados do país: PE, AL, SE, PI, RS e RJ, organizada na BRIGADA protagonizada por diversas organizações do campo e da cidade: Movimentos populares, Movimentos Sindicais e Pastorais Sociais: PJR, MST, MPA, Levante Popular da Juventude, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolândia, Sindicatos dos Servidores Municipais de Petrolândia, Diocese de Floresta, PROVIDA, Consulta Popular, CPT, CUT, Via Campesina, Frente Brasil Popular, encontram-se realizando com a população ações de agitação e propaganda,  em Defesa das Águas, do Rio São Francisco e dos direitos da classe trabalhadora, no território do Sertão de Itaparica, em Pernambuco.

As várias ações na região acontecem no período de 05 a 15 de dezembro, estando vinculadas a II Caravana da Frente  Brasil Popular pela Democracia, ao Fórum Social em Defesa das Águas e do Rio São Francisco (que acontecerá dia 15/12 em Petrolândia) e ao diálogo dos Movimentos Sociais com o Papa, também em Defesa das Águas e do Rio São Francisco.

Na condução dos processos históricos ,”os jovens devem ser os primeiros em tudo, inclusive nos sacrifícios exigidos pela Revolução”, já nos apontava em seus pensamentos o nosso comandante Che Guevara. Assim os movimentos compreendem que a atual conjuntura do país exige, que a juventude seja convocada com sua ousadia e criatividade, para seguir cumprindo com seu papel na história. É nesse sentido que a Brigada de Juventude acontece. Os jovens têm a missão de semear esperança, soberania e fazer transformação.

Nesse momento todo trabalho da Brigada perpassa pela agitação e propaganda, legado da Revolução Russa, que se apresenta como um conjunto de formas e métodos para o trabalho de base e de massa, caminhos para construir consciência crítica na classe trabalhadora, fortalecendo assim os processos de resistência, organização e de luta tão  necessários à atual conjuntura do país. Assim a Agitprop se apresenta como uma das grandes tarefas a ser cada vez mais desenvolvida pela juventude do campo e da cidade!

#Atenção, atenção: Venda das águas em ação!
#Atenção, atenção: Precisa-se de água para população!
#Atenção, atenção: É luta popular por revitalização, contra privatização!

Postado por Comunicação Nacional da PJR

MPA faz Greve de Fome na Capital Federal contra a Reforma da Previdência

Camponeses do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) iniciam hoje, 5 de dezembro, Greve de Fome na Câmara dos Deputados Federal em Brasília como forma de repúdio a Reforma da Previdência que assombra os trabalhadores do campo e da cidade, e que poderá ser votada a qualquer momento.

840a03c4-41c6-4c47-b31c-7d69b160f6b2-300x200
Para o MPA a Greve de Fome significa que alguns passarão fome por alguns dias para evitar que muitos passem fome uma vida inteira

                 As recentes notícias da proposição do relator da Reforma da Previdência, Arthur Maia (PPS-BA), de retirar os trabalhadores rurais da proposta encaminhada para votação é mentira e a não votação da reforma na Câmara do Deputados não desmobilizou os trabalhadores, diante disso o Movimento segue somando nas atividades da Frente Brasil Popular em todo o País. “Para o MPA a Greve de Fome significa que alguns passarão fome por alguns dias para evitar que muitos passem fome uma vida inteira”, afirma Bruno Pilon.
O MPA reafirma sua posição contrária a Reforma da Previdência, posição essa expressa por todas as organizações do campo e da cidade que de fato defendem os interesses da Classe Trabalhadora. “Nem a aparente retirada dos rurais da Reforma Previdenciária nos fará retroceder a luta, essa é uma Luta de Classe. Se nossos irmãos e irmãs urbanos serão atingidos também seremos, vamos nos manter firmes para barrar esses retrocessos”, aponta Pilon.

28e6d905-e4da-428b-8635-e175a655b8b9-300x200
Frei Sergio Görgen, Josi Costa e Leila Denise Meurer iniciaram ato nesta manhã, junto à Câmara dos Deputados

              Os camponeses e camponesas que estão fazendo a Greve de Fome – Frei Sergio Görgen, Josi Costa e Leila Denise Meurer – sabem do desafio que é imposto a privação de se alimentar, mas visto o nível de retirada de diretos que se encontra é uma das ações que estão dispostos a fazer para contribuir com a derrocada dessa Reforma, esse é um aviso prévio das ações que eles irão executar caso essa Reforma venha a ser votada.
O Movimento não aceita a manobra do governo golpista e assegura que irá cerrar fileiras junto com todos os companheiros e companheiras urbanos e rurais, junto com suas entidades de Classe para barrar esta votação e derrotar a reforma na Câmara do Deputados.

 


Informações:
Adilvane: (61) 9 9996 4391 WhatsApp (49) 9 9916 5897
Neudi: (11) 948172567

Publicado Originalmente: SITE DO MPA

IV Romaria dos Trabalhadores e das Trabalhadoras da Terra e das Águas

Foi realizada na tarde de ontem (25) a IV Romaria dos Trabalhadores e das Trabalhadoras da Terra e das Águas, nos Assentamentos do município de Touros/RN.
A celebração reuniu moradores dos assentamentos, comunidades circunvizinhas, pastorais sociais, com a Pastoral da Juventude Rural, Pastoral da Juventude do Meio Popular e Pastoral da Juventude e a presença da Senadora Fátima Bezerra do Partido dos Trabalhadores (PT), como também uma forte presença do setor social da arquidiocese de Natal.

A culminância iniciou com uma mística, que foi organizada e realizada pelos jovens do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST, e que homenageou o companheiro EDIMILSON  que morreu na luta pela terra.

Após a vivência do momento mistico e que resgatou a luta do companheiro, que teve sua vida ceifada, por lutar pela terra. Os celebrantes saíram em caminhada do Assentamento Cajá em destino ao Assentamento Quilombo dos Palmares, onde a  IV Romaria foi encerrada com uma missa solene presidida pelo Bispo Dom Jaime.

A militância da Pastoral da Juventude Rural – PJR do Rio Grande do Norte também marcou presença e trouxe sua mensagem expressa em uma faixa, com os dizeres proferidos pelo Papa Francisco “Nenhum camponês se terra, nenhum trabalhador sem direitos”.

Mais fotos

 

Por Comunicação Nacional da PJR

%d bloggers like this: