Do Ismo aos punhos cerrados de mística e de luta

Há 27 anos, comemoramos nacional e internacionalmente uma conquista dessa luta diária contra toda a opressão voltada para orientação sexual e identidade de gênero. O dia 17 de maio de 1990 é marcado como um dia de luta para nossa história quando a orientação sexual difere do que a sociedade classifica enquanto padrão normativo. Foi nessa data que a Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou a retirada do “homossexualismo” do CID-10 (Código Internacional de Doenças). Isso mesmo: deixamos de ser classificadas e classificados como doença e/ou distúrbio e, com isso, o dia 17 de maio é considerado o dia Internacional contra a Homofobia/ LGBTfobia.

O capitalismo tem todo o interesse em manter as opressões. Ele se vale delas para se sustentar. O patriarcado, o machismo, o racismo e a LGBTfobia se retroalimentam para ser base de sustentação desse sistema. A sociedade que tem seu conservadorismo enraizado em todas as reproduções diárias é a mesma sociedade que mata LGBT’s do mundo todo. O Brasil, hoje, ocupa o primeiro lugar em assassinatos de LGBT’s nas Américas. Tais números de mortes sobem em 18% em relação a assassinatos de travestis, transexuais e transgêneros, neste ano.

Sem discutir a luta contra a Lesbofobia, a Homofobia, a Bifobia e a Transfobia, sem associar essa luta à luta de classes, reduzindo-a ao identitarismo, não avançaremos na luta pela sociedade justa e popular que queremos. É necessário entender que nós, LGBT’s, fazemos parte dessa luta de classes e contra toda opressão é essencial. É preciso ir além das nossas lutas auto-organizadas. Somos parte da luta coletiva de um povo. Somos mulheres, somos negras e negros, somos camponesas e camponeses, somos antimanicomiais, somos juventude, somos classe trabalhadora, somos da periferia, da universidade, somos sindicalistas e buscamos direitos para que tenhamos uma sociedade livre de toda opressão e conservadorismo.

Nós da esquerda precisamos entender cada vez mais que o projeto de sociedade que queremos e pelo qual lutamos está também longe de todo tipo de opressão, como a LGBTfobia. É preciso entender que fazemos parte daquela base de sustentação e não queremos apenas a pauta identitária. Lutar contra essas opressões é uma luta geral porque atinge também as pessoas não LGBT’s.

O projeto popular, além de ser feminista e anti-racista, é também colorido. Não só porque as LGBT’s dão close diariamente, mas também porque queremos para além da visibilidade. Queremos direitos em todos os âmbitos da sociedade, queremos saúde de qualidade, uma educação em que sejam discutidas questões sobre sexualidade e gênero. Nós queremos andar nas ruas sem medo de apanhar ou morrer. Queremos viver e não sobreviver. Queremos tudo isso – e mais! – porque somos luta e mística dentro de nossos punhos cerrados e da nossa luta diária para seguirmos juntas e juntos contra todo o tipo de opressão, conservadorismo e patriarcado.

Coletivo de Diversidade Sexual e Gênero da Consulta Popular Pernambuco
Recife, 17 de maio de 2017

Publicado originalmente no Site da Consulta Popular

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