A Juventude Camponesa e a sua organização social e política: O território como categoria analítica

 

MARIA DE FÁTIMA ALVES1

JANAINA FRANCISCA DE SOUZA CAMPOS VINHA2

 

 Resumo

Frequentemente os jovens são abordados pelo viéis da migração, sem destacar a sua importância como categoria política e social que se organiza para a construção de um projeto de desenvolvimento territorial camponês para o campo brasileiro. São jovens marcados (as) pela desigualdade de genêro e geração, além disso, o modelo hegemônico da agricultura, o agronégocio, traz um cenário de contradições que afeta diretamente a condição de vida da juventude camponesa. Sendo assim, esse  trabalho busca realizar as primeiras aproximações sobre as experiências e a organização dos jovens rurais em Grupos de Produção e Resistência (GPR), sua relação e contribuição para ressignificar e construir o território camponês.

Palavras-chave: Juventude camponesa; Território camponês; Organização política.

Abstract

Often young are addressed by migration viable without highlight its importance as a political and social category that is organized for the construction of a territorial development project for the Brazilian peasant field. Young are labeled the inequality of genre and generation, moreover, the hegemonic model of agriculture, agribusiness, brings a set of contradictions that directly affects the living conditions the peasant youth. Thus, this work seeks to accomplish the first approaches on the experiences and the organization of rural youth in Production Groups and Resistance (PGR), their relationship and contribution to reframe and build the peasant territory.

Keywords: Peasant youth; Peasant territory; Organization policy.

 

1 – Introdução

                                               

1

Acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe – UNESP. E-mail de contato:

fatimaborbapjr@gmail.com

2

Docente da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe – UNESP. E-mail de contato:

janadageo.unesp@yahoo.com.br

 

 

O projeto neoliberal para o campo no Brasil seguiu as diretrizes ditadas pelo

Banco Mundial, em que “o acesso do homem pobre à terra foi concebido como um problema individual, que deveria ser enfrentado caso a caso” […] (JUNIOR, 2013, p. 224). Este contexto apenas fortaleceu o desenvolvimento do capital sob o domínio dos grandes grupos econômicos empresariais do agronegócio, deslegitimando os direitos territoriais dos povos e comunidades tradicionais quilombolas, indígenas e das famílias camponesas, intensificando a pobreza no campo e o alto fluxo migratório de camponeses, especificamente dos e das jovens.

As experiências organizativas da juventude rural a partir dos Grupos de Produção e Resistência (GPR), articulados à Pastoral da Juventude Rural (PJR) no município de Monteiro, situado na microrregião do Cariri Ocidental paraibano, constituem uma estratégia de organização política e social dos e das jovens rurais em torno da construção de alternativas para viver no campo. Ao decidirem permanecer, esses jovenstêm uma forte identificação com o território camponês, sendo necessário o componente organizativo para construir condições de vida e luta na terra.

A juventude vem se autoafirmando como sujeito político no processo de construção do projeto contra-hegemônico em defesa do território camponês – “é um espaço de vida, espaço de produção, disputa de poder e construção do projeto popular. É onde fazemos o enfrentamento direto com o agronegócio” (SILVA, 2014, p. 55). É nesse território que perpassa a correlação de força e de disputa de poder, onde a juventude rural, mediante participação em movimentos sociais e organização em grupos de produção, resiste ao modelo de desenvolvimento do agronegócio, constrói e reconstrói o espaço rural. São movimentos socioterritoriais que “criam relações sociais para tratarem diretamente de seus interesses e assim produzem seus próprios espaços e seus territórios” (FERNANDES, 2006, p. 31). Compreendendo o território como multidimensional, este é um “espaço nem sempre geográfico, pode ser social, político, cultural, cibernético, etc.” (FERNANDES, 2006, p. 27), é, portanto, material e imaterial.

Os jovens rurais são sujeitos que se organizam e modificam o território, permeando o confronto, de natureza concreta e abstrata. Suas ações o legitimam como sujeito político na construção e defesa do território camponês, se constituindo como grupo social que se afirma na luta, seja na participação em eventos, manifestações públicas e formas organizativas de determinados movimento sociais, se fazendo visíveis, tanto para as organizações sociais quanto para a sociedade (CASTRO, 2009).

Dessa forma, este estudo busca compreender como os jovens se organizam social e politicamente para a construção do território camponês diante da correlação de forças existentes no meio rural entre o agronegócio e o campesinato. Para tanto, refletir sobre as contribuições da categoria de território para a compreensão da organização política e social das juventudes é um exercício necessário e que iniciase com este trabalho.

2.1. Juventude e participação social e política

É necessário entender a juventude como uma construção histórica. O jovem não é identificado meramente pela faixa etária, mas antes se configura como sujeito histórico que deve ser entendido a partir da realidade social e cultural no qual está inserido.

Mesmo que o Estatuto da Juventude considere jovens as pessoas que tenham entre 15 e 29 anos de idade (BRASIL, 2013), aqui, iremos abordar a juventude como categoria social e política permeada por conflitos e contradições dentro do contexto da sociedade capitalista.  Assim:

Ao ser definida como categoria social a juventude torna-se, ao mesmo tempo, uma representação sociocultural e uma situação social. Ou seja, a Juventude é uma concepção, uma representação social ou criação simbólica, fabricada pelos grupos sociais ou pelos próprios indivíduos tidos como jovens. (GROPPO[1] apud MANSAN, 2008, p. 52)

Novaes (1998) traz o debate da juventude sobre a ótica da diversidade. A partir da década de 1980 e 1990 se passa a falar de juventudes, considerando essa categoria na sua heterogeneidade. Mesmo a juventude camponesa é bem heterogênea, pois há jovens quilombolas, indígenas, ribeirinhos e assentados, por exemplo, que vivem em comunidades rurais e em regiões diferentes do Brasil e que, portanto, tem peculiaridades e demandas distintas.

Castro (2009) revela o perfil de jovens rurais inseridos em movimentos sociais do campo através de um estudo etnográfico dos processos organizativos a partir de eventos realizados pela CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), FETRAF – Brasil (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Brasil), MST (Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), PJR (Pastoral da Juventude Rural), abordando a questão da juventude como categoria organizativa e política, aponta que a juventude rural ganha visibilidade no campo acadêmico e na sociedade como categoria social, entretanto, ainda permanece pouco percebida como categoria política.

O capitalismo no campo, impulsionado pelo o agronegócio, provoca mazelas no território camponês, expropriando e expulsando os jovens do campo quando estes não conseguem condições de vida no campo. A partir do desenvolvimento industrial, estimulado pelo governo Vargas na década de 1930, as políticas brasileiras priorizaram substancialmente ações voltadas para o setor urbanoindustrial. As políticas de Estado que se destinam ao campo são direcionadas ao agronegócio, em detrimento das poucas ações desenvolvidas para o fortalecimento do campesinato, incluindo a juventude rural.

A pesquisa de Castro (2009) também revela a dificuldade dos e das jovens no acesso à terra, trabalho e renda da juventude camponesa. São pontuadas as condições desfavoráveis enfrentadas por esta categoria quando relacionada aos postos de trabalhos ocupados pelos adultos. No território camponês a produção familiar está sob o domínio paterno é outra condição, geralmente eliminando a mulher e os (as) jovens do poder de decisão sobre o processo produtivo.

Castro (2009) ainda em seu estudo revela que o acesso à terra desses jovens pesquisados é bem limitado, exatamente pela sua subalternidade aos pais. E isso contribui para o desejo dos jovens saírem do campo. Percentuais revelados pelo referido estudo, deixam claro a não autonomia da juventude, onde apenas 9% dos jovens que participam da PJR, 11% dos que participam da FETRAF e 16% dos que atuam na CONTAG afirmaram ser responsáveis por terra/lote. Do total da juventude investigada, a maioria reside com seus genitores.

A pesquisa de Brumer (2007) apresenta as reivindicações de jovens filhos de agricultores familiares do sul do Brasil, por meio de entrevistas que abordam dois aspectos principais: o acesso a uma renda própria, cujos recursos possam gerenciar; e a sua autonomia em relação aos pais.

Importante destacar que a dependência da renda dos pais deixa os jovens sob o controle quase que permanente dos seus genitores. Uma das alternativas encontradas pela juventude rural é buscar trabalho assalariado no meio urbano, o que ocasiona uma ruptura temporária ou permanente com a atividade agrícola (BRUMER, 2007). Segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio – PNAD (2012 e 2013), a taxa de desocupação[2]no segundo trimestre de 2013dos jovens entre 18 a 24 anos de idade, foi de 15,4%, apresentando um patamar elevado em relação à taxa média total do país que é 7,4%. Este comportamento foi verificado tanto para o Brasil quanto para as cinco macrorregiões.

Também vale ressaltar que a falta de renda e de autonomia age de maneira diferenciada sobre rapazes e moças. Geralmente, os jovens acompanham o pai nas atividades de produção agrícola e as jovens desempenham junto com a mãe as tarefas domésticas (BRUMER, 2007).

APNAD (2012 e 2013) revela diferenças significativas na taxa de desocupação entre homens e mulheres nas cinco macrorregiões do Brasil. No segundo trimestre de 2013, a taxa foi estimada em 6% para os homens e 9,3% para as mulheres, além de demonstrar que a população fora da força de trabalho[3]correspondia, em sua maioria, às mulheres. No segundo trimestre de 2013, elas representavam cerca de 66,7%. Esse patamar de desigualdade também comparece em todas as regiões do país.

Conforme afirma Garcia (2004, p. 143) “o fenômeno do desemprego estrutural são realidades do nosso tempo, que se expressam sob um padrão de gênero predeterminado na sociedade ocidental, fundamentado no sistema de dominaçãoopressão feminino”. Essa desigualdade nas relações de gênero, somada às dificuldades de acesso ao trabalho/emprego, terra e a própria ausência de serviços públicos – como a educação, saúde, fomento a cultura, esporte e lazer para o campo – implicam em processos sociais contraditórios e de conflitos para os (as) jovens rurais.

A pesquisa de Castro (2009) mostra o paradoxo entre a opção da juventude sair ou ficar no campo. Querer “ficar” no campo nem sempre significa “poder ficar” no campo. Dos jovens entrevistados, 96% querem permanecer na terra, mas 86% acham inviável. Portanto, existem muitos elementos diferentes para entender o conflito entre a migração e a permanência dos jovens no campo.

Fazendo um paralelo com o estudo publicado em 2013 pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), 84% dos jovens pesquisados revelaram o desejo de ficar no campo. No entanto existem menos jovens (18 a 24 anos de idade) e idosos no Brasil (60 anos de idade ou mais), em menor proporção em qualquer região do país, quando comparada com a população de meia idade (25 a 59 anos) no território brasileiro (CASTRO; LIMA; SARMENTO, 2013).

Mesmo com o desejo da permanência, há nitidamente a ausência dessa juventude no campo. E quando se trata da presença das mulheres, os dados do IBGE do Censo 2010, indicam que na área urbana as mulheres são mais numerosas que os homens, alcançando o índice de seis milhões e quatrocentos mil a mais que a população masculina. Já na área rural, há cerca de um milhão e duzentos mil homens a mais que a população feminina.

A pesquisa de Stropasolas (2004) sobre a visão do mundo rural na ótica dos filhos dos agricultores familiares traz a migração da juventude camponesa como causa das contradições e conflitos internos e externos não meramente como causa de fatores econômicos:

Neste processo, padrões culturais e problemas estruturais que perpassam o cotidiano dos grupos sociais que enfrentam processos de exclusão social, externa e interna, embora constantemente ressaltados nos seus depoimentos, não são suficiente enfatizados nas proposições que visão à geração de novas alternativas de emprego e renda no espaço rural (STROPASOLAS, 2004, p. 160).

Outros fatores, como o paradoxo da migração ou a permanência no campo desses sujeitos, abordam uma problemática inserida em um contexto de violência no meio rural, que traz, por outro lado, os jovens como sujeitos que resistem neste universo, através da inserção em movimentos sociais e da organização política e social na busca por melhores condições de vida para permanecer na terra.

2.2. Juventude camponesa e território

O espaço social é composto pela materialização da existência humana (LEFÉBVRE, 1991), criado pela natureza e transformado permanentemente pelas relações sociais. Por produzir-se e ser produzido, o espaço é multidimensional, pois comporta uma variada gama de dimensões (FERNANDES, 2005). Além de multidimensional, é, também, multi(pluri) escalar, cuja dinâmica é inerente aos processos de “completibilidade, conflitualidade e interação” (FERNANDES, 2005, p. 26). O espaço geográfico é formado pelos elementos da natureza também e pelas dimensões sociais, produzidas pelas relações entre as pessoas, como a cultura, a política e a economia (FERNANDES, 2005, p. 26).

Como fração do espaço, o território também está imerso à natureza e às relações sociais. Ele é formado a partir do espaço e possui relações atinentes com o poder. “O território é o espaço apropriado por uma determinada relação social que o produz e o mantém a partir de uma forma de poder” (FERNANDES, 2005, p. 27). O espaço é a prisão original e o território é a prisão que os homens constroem para si (RAFFESTIN, 1993).

Embora distintos, espaço e território são complementares e estão inter- relacionados (SAQUET, 2005). O território faz parte de uma totalidade restrita gerada pela intencionalidade, cuja diversidade de relações sociais cria diversos tipos de territórios, formados por diferentes escalas (multiescalar) e dimensões (multidimensional) (FERNANDES, 2005).

Além da multiescalaridade e multidimensionalidade, interessa-nos destacar a natureza do território. Partimos da ideia de que os territórios podem ser e imaterial, em que o primeiro está relacionado com o espaço físico e o segundo com o espaço social – relações sociais permeadas por pensamentos, conceitos, teorias e ideologias (FERNANDES, 2006). Imaterialidade e materialidade são complementares e não podem, em hipótese alguma, serem dissociadas do entendimento sobre o território. É a mobilidade dos territórios imateriais sobre o espaço geográfico, por intermédio da intencionalidade, que determina a construção de territórios materiais (FERNANDES, 2005). A intencionalidade é um aspecto da

(i)materialidade do território e que cerceia a sociedade. “O movimento do pensamento em sensações, percepções, leituras, reflexões é um aspecto do abstrato que é inerente aos processos territoriais significando, ao mesmo tempo, objetividade” (SAQUET, 2007, p. 171-172).

Em diferentes tipos de territórios as relações sociais que os produzem quase sempre apresentam conflitos, pois têm distintos interesses e visões de mundo. Aqui, iremos tratar do território campesino, o qual estabelece enfretamento com o agronegócio, território pautado pelas relações sociais capitalistas. Se por um lado temos a luta de camponeses pelo acesso a terra, à condições dignas no campo e a construção de um desenvolvimento territorial baseado na relação justa homemnatureza, por outro lado, há também a existência de grupos transnacionais e multinacionais que se apropriam dos espaços, construindo territórios que se reafirmam e reproduzem diante de um discurso ideológico assentado no “desenvolvimento econômico”, sendo o Estado o principal viabilizador desse processo, através da política neoliberal introduzida no Brasil na década de 1990.

Há uma apropriação política do território, que pode ocorrer tanto no campo institucional, como é o caso do Estado, quanto pelo comportamento coletivo de resistência, por meio dos movimentos sociais que se organizam territorialmente. Nesse sentindo, que a juventude camponesa organizada se torna uma importante ferramenta de resistência e embate contra o agronegócio que avança e destrói os territórios camponeses. A juventude, que muita vezes é invisibilizada pela sociedade nos mais diversos espaços, se coloca como força de transformação e construção do território camponês.

A juventude camponesa rurais é composta por sujeitos que se organizam e modificam o território, evidenciando o confronto e a disputa territorial, de natureza concreta e abstrata, material e imaterial, entre campesinato e agronegócio. Suas ações o legitimam como sujeito político na construção e defesa do território, se constituindo como grupo social que se afirma na luta, seja na participação em eventos, manifestações públicas e formas organizativas de determinados movimento sociais, se fazendo visíveis, tanto para as organizações sociais quanto para a sociedade (CASTRO, 2009).

Para Castro (2009), nos espaços e documentos produzidos por esta categoria, as demandas específicas de lutas dos jovens estão intrinsecamente ligadas às mudanças estruturais na realidade do campo brasileiro. Essa participação e inserção nos movimentos sociais apontam para um fenômeno em movimento que permeiam contradições e conflitos.

[…] Neste sentido, o processo de disputa por reconhecimento da juventude rural tem sido um lócus para analisar a categoria juventude, seus diferentes contextos e como estes ressignificam, reinventam “antigas” práticas políticas e criam novas (CASTRO, 2009, p. 189).

A juventude camponesa segue se organizando em busca da construção e ressignificação dos seus territórios, resistindo a partir de suas experiências políticas. A juventude quebra a invisibilidade quando decide participar de algum movimento social. Assim, a juventude vai se afirmando, ocupando território imaterial quando decide por meio da formação política tomar para si a construção ideológica e prática do território camponês.

Dentre muitas experiências organizativas da juventude rural, temos os Grupos de Produção e Resistência (GPR) articulados pela PJR.

Os GPRs são:

  1. a) Grupo: É um espaço de cooperação entre jovens, podendo envolver adultos, especialmente familiares; b) Produção: Implica na organização do trabalho em vista da geração de renda, a partir de produtos provindos da agricultura in natura, mas de preferência já transformados (beneficiados, agroindustrializados), ou de produtos com matéria prima da natureza (artesanato, por exemplo) ou com serviços relacionados com a natureza e a cultura dos povos do campo, em seu sentido amplo (turismo rural, ecológico e cultural ou vivencial); c) Resistência: Porque o GPR nasce como uma proposta de criar condições para a permanência dos jovens e das jovens que querem viver no campo e nele produzir com nova relação com a natureza, distinta ao jeito do agrohidronegócio. Implica em assumir um modelo de produção no campo baseado na agroecologia. Esta resistência precisa ser ativa em vista da construção de um Projeto Popular para o Brasil (CNPJR, 2014, p. 2).

 

Na medida que os jovens camponeses se assumem enquanto GPR, estão lutando e resistindo por condições de vida no campo, ao mesmo tempo que vão se construído enquanto sujeitos históricos, ressignificando e construindo o território camponês.

Desta forma, a Rede GPR nasce com o desafio de organizar a juventude camponesa a partir de experiências de produção, portanto, é também uma proposta política que, por meio da produção agroecológica, traz uma alternativa de permanência da juventude no campo, desenvolvendo outras lógicas, como a soberania alimentar, por exemplo. Ainda, traz uma proposta de desenvolvimento da Economia Popular Solidária, através da formação permanente e da organização política da juventude para a construção de um projeto popular para o campo e para o Brasil.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

   

A juventude camponesa, portanto, se coloca como sujeito social e político a medida que vai se auto-organizando enquanto GPR. Estes sujeitos modificam o território quando constroem alternativas de produção ao modelo vigente de economia para o campo – o agronegócio. Reconstroem, por meio da Economia Popular Solidária, novas relações tanto sociais e políticas como produtivas por meio da agroecologia.

A grande dificuldade e contradição da organização dos GPR é produzir e comercializar os produtos dentro do sistema capitalista. Sabe-se que é difícil adentrar na perspectiva da solidariedade neste sistema, o qual impõe a competição e a exclusão social. Porém é um caminho encontrado para fazer enfrentamento ao capital por meio da organização e da cooperação de jovens trabalhadores e trabalhadoras.

Assim, a juventude camponesa vai reproduzindo o território (i)material ao ocupar os espaços políticos e sociais, construindo outras formas de produção e assumindo para si a efetivação, tanto ideológica quanto prática, do território campesino.

 

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. Estatuto da Juventude. Lei nº 12.852, de 5 de agosto de 2013. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20112014/2013/Lei/L12852.htm. Acesso em 11/06/2014.

 

BRUMER, Anita. A problemática dos jovens rurais na pós-modernidade. In: Juventude Rural em Perspectiva; CARNEIRO, M.J.; CASTRO, E.G.de. (Org.). Rio de Janeiro: Mauad X, 2007, p. 35-51.

 

CASTRO, E. G. Juventude do Campo. In: CALDART, R. S.; PEREIRA, I. B.; ALENTEJANO, P.; FRIGOTTO, G. (Org). Dicionário da Educação do Campo. Rio de Janeiro, São Paulo: Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Expressão Popular, 2012.

 

_______. et al. Os jovens estão indo embora? Juventude rural e a construção de um ator político. Rio de Janeiro: Edur; Mauad X, 2009.

 

CASTRO, M.G. de. et al. Juventude Rural, Agricultura familiar e Políticas de

Acesso à Terra no Brasil. Brasília: Ministério de Desenvolvimento Agrário, 2013.

CNPR – Equipe Nacional dos GPR. Concepções da Rede GPR Brasil. 2015, p. 139 (mimeo).

 

FERNANDES, B. M. Questão agrária: conflitualidade e desenvolvimento territorial. In: BUAINAIN, A. M. (org.). Luta pela terra, reforma agrária e gestão de conflitos no Brasil. Campinas: Unicamp, 2005.

FERNANDES, B. M. Movimentos socioterritoriais e movimentos socioespaciais: contribuição teórica para uma leitura geográfica dos movimentos sociais. Rev. NERA, Ano 8, N. 6 – janeiro/junho de 2006.

 

GARCÍA. M. F. A luta pela terra sob enfoque de gênero: os lugares da diferença no portal do Paranapanema. 2004. 227 f. Dissertação (Doutorado em Geografia) – Departamento de Geografia da Faculdade de Ciência e Tecnologia de Presidente Prudente, UNESP, São Paulo.

 

JUNIOR, P.A.S. Notas críticas sobre a atualidade e os Desafios da questão agrária. In: STÉDILE, J.P. (Org.). A questão agrária no Brasil. Debate sobre a situação e perspectivas da reforma agrária na década de 2000. Expressão Popular: São Paulo, 2013, p. 189 -240.

 

LEFEBVRE, Henri. The production of space. Oxford: Blackwell, 1991. 454 p.

MANSAN, P. R. A. Juventude camponesa e permanência no campo. 2012, Disponível em: http://www.pjr.org.br/teste/, acesso no dia 12/06/2014.

______. A construção identitária da juventude nos Movimentos Sociais da Via Campesina Brasil. UFCG, 2008 (Dissertação de Mestrado).

 

NOVAES, R.R. Juventude/juventudes? Comunicações Inser, v. 17, n. 50, p. 8-22, 1998.

 

PNAD Contínua (2012 e 2013) – Pesquisa Nacional por Amostra. IBGE, Disponível em:

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pnad_conti nua/primeiros_resultados/analise07.shtm. Acesso em 07/06/2014.

 

RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. São Paulo: Ática, 1993.

SAQUET, Marcos Aurelio. A relação espaço-tempo e a apreensão do movimento em estudos territoriais. In: Anais do X Encontro de Geógrafos da América Latina. 2005. Universidade de São Paulo, p. 13882. CD-ROM.

SILVA, Valter Israel da. Classes Camponesas: Modo de ser, de ver e de produzir. Porto Alegre, Instituto Cultural Padre Josimo, 1ª edição, 2014.

 

STROPASOLAS, Luiz Valmir. Visões de Mundo Rural dos Jovens: da invisibilidade social à busca da cidadania. In: AUED, B.W., PAULILO, M.I.S. (Org.). Agricultura Familiar. Florianópolis: Insular, 2004, p. 153-170.

[1] GROPPO, Luís Antônio. Juventude: Ensaios sobre Sociologia e História das

Juventudes Modernas. Rio de Janeiro: DIFEL, 2000

[2] Taxa de ocupação: É o percentual de pessoas ocupadas na semana de referência em relação às pessoas na força de trabalho: [ocupados / força de trabalho] x 100

 

[3] Pessoas fora da força de trabalho: São classificadas como fora da força de trabalho na semana de referência as pessoas que não estavam ocupadas nem desocupadas nessa semana.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s