Estudantes em Educação do Campo acampam na UFRB e cobram direitos estudantis

“Que a universidade se pinte de povo”.
Baseados nesta frase do guerrilheiro e pensador Ernesto Chê Guevara, estudantes de licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), em Amargosa, ligados ao MST e a Pastoral da Juventude Rural, ocuparam na manhã deste domingo (08/11) a frente do Centro de Formação de Professores (CFP).
Os estudantes reivindicam alguns direitos básicos que todo universitário possui, como acesso ao restaurante, residência, uma bolsa que garanta a permanência, a elaboração de uma política de estudo, entre outras pautas.
Em carta, os estudantes apontam os limites institucionais construídos pela universidade que burocratizam o acesso da classe trabalhadora a um curso superior.
“Nós trazemos como imediato o cumprimento destes pontos, pois, sem estes, não há viabilidade real em mantermos a ideia de que a Educação do Campo ‘ganhou espaço na UFRB’, e assim, deixaremos de lutar pelo que, de fato, nos foi negado historicamente”, enfatiza os estudantes.
A lona preta está tomando conta da universidade e as bandeiras dos movimentos sociais que lutam por uma educação do campo de qualidade está dialogando com os demais estudantes que também se somam a esta luta.
A pauta de reivindicação foi entregue em março deste ano, porém não obteve nenhuma resposta da instituição.

Com isso, os estudantes reivindicam um retorno positivo e imediato da pauta pelo atual reitor, o professor Silvio Soglia.

Leia a Carta do Movimento de Ocupação DACAMPO
A licenciatura plena em Educação do Campo – área do conhecimento: Ciências Agrárias, curso aprovado pelo PROCAMPO e lotado no Centro de Formação de Professores – CFP (centro de ensino, pesquisa e extensão da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB), assim como outros cursos da mesma natureza, passa por dificuldades estruturais que são frutos das contradições que a Universidade carrega em relação do Campesinato.
Motivados pelo não cumprimento mínimo dos acordos feitos em março com a gestão dessa Universidade (residência e alimentação), em prol do cumprimento denossa pauta e à fim de tornar pública nossas reivindicações, desde Domingo (08) discentes das duas turmas do LEdoC – Ciências Agrárias estão em movimento de ocupação, por tempo indeterminado, do Centro de Formação de Professores – CFP.
No início de 2015, as turmas que integram o Diretório Acadêmico de Ciências Agrárias do PROCAMPO (DACAMPO), acirraram as cobranças pelos direitos fundamentais a todos os estudantes, entregando uma pauta ao então reitor, professor Paulo Gabriel, que tinha como vice-reitor o professor Silvio Soglia, atual reitor dessa Universidade. A pauta tem como foco central, a cobrança pelos direitos já conquistados em lei, porém, não materializados para a estudantada do curso. Trata-se, principalmente, de:
1. Residencia para o PROCAMPO, que atenda às especificidades do curso;
2. Restaurante Universitário para a alimentação durante o tempo universidade;
3. Bolsa Permanência para todas e todos xs estudantes que estão dentro dos critérios socioeconômicos (preferencialmente, a adaptação do curso à portaria 389 do MEC);
4. Acesso à informação (disponibilização de computadores para a formação integral, entendendo o Tempo Comunidade como parte do processo formativo);
5. Elaboração da Política de Ensino, Pesquisa e Extensão para atender à Educação do Campo, desde os regimentos básicos da Universidade à elaboração dos editais de pesquisa e extensão. A universidade precisa inclui a Educação do Campo como um curso regular, pois, ela já o é.
A pauta completa está na posse da diretoria do DACAMPO, mas nós trazemos como imediato o cumprimento destes pontos, pois, sem estes, não há viabilidade real em mantermos a ideia de que a Educação do Campo “ganhou espaço na UFRB”, e assim, deixaremos de lutar pelo que, de fato, nos foi negado historicamente.
É por isso que o DACAMPO, em reunião com estudantes da diretoria e da base, decidiu declarar plena mobilização para o cumprimento da nossa pauta e imediata instalação de uma comissão paritária, instituída pelo presidente do CONSUNI e CONAC desta Universidade, para iniciar o processo de construção do 5º ponto da nossa pauta.
Como já havíamos declarado, e acordado, em audiência com a gestão, discentes e docentes, que não permaneceríamos na pousada contratada visto os maus tratos sofridos, a diferenciação entre hospedes “pagantes” e os hóspedes da Educação do Campo (PAGANTES, com recursos públicos) que segundo funcionário da mesma, estariam recebendo um “favor” da pousada em hospedá-los; o café da manhã diferenciado – horário, itens e qualidade – entre esses dois ‘tipos’ de hóspedes; não cumprimento de itens contratados como área para estudo, internet que atenda ao público – velocidade e horário de utilização, superlotação de quartos entre outros motivos que nos levou a não aceitar que o recurso público destinado à hospedagem dos estudantes da educação do campo continuasse sendo utilizado em tal pousada e que fosse destinado ao aluguel de residência específica. Portanto estamos residindo no pátio do CFP, para que nós pudéssemos viabilizar o retorno às aulas. Também, declaramos que nos recusaríamos a continuar comendo a alimentação fornecida pois, a mesma sempre apresentou falta de cuidados sanitários os quais eram negados por parte dos funcionários e simplesmente esquecidas as reclamações dos discentes, sendo constante encontrarmos cabelo, barata, lagarta – e outros insetos, e, até curativo. Assim, como o recurso da pousada, não concordamos em continuar sendo gasto com tal contratada e que fosse destinado ao R.U. para o CFP, que contemplasse todos os estudantes do centro, ou de imediato, que fosse destinado aos próprios discentes do PROCAMPO para nossa autonomia e gestão da alimentação. Diante disso, ocupamos a copa do CFP, garantindo que o espaço contemple à categoria estudantil em geral (pois era de uso restrito aos Professores, Técnicos e Servidores), para viabilizar a produção de nossas refeições (com alimentos trazidos pelos próprios estudantes, doados por movimentos sociais, associações, entidades e demais apoios recebidos) até que nossa cozinha no acampamento seja providenciada.
Convidamos nossos pares que se sensibilizam/apoiam nossas reivindicações que juntem-se ao movimento de ocupação, seja permanecendo acampado; confraternizando as refeições; contribuindo com doação pessoal e/ou material, Diretório Acadêmico da Licenciatura Plena em Educação Do Campo – Área do Conhecimento: Ciências Agrárias (DACAMPO) comungando de resistência e união. Também, estendemos o convite aos demais cursos dessa Universidade, que reconheçam e simpatizem com a luta da categoria estudantil da Educação do Campo da UFRB.
QUE A UNIVERSIDADE SE PINTE DE POVO! (Ernesto Guevara)
Do Portal Voz do Movimento
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