Carta Aberta do I Encontro de Juventude e Economia Solidária

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“É no peito da Juventude que pulsa uma nova economia”                                                            

Monte Santo, 26 de abril de 2015.

Somos jovens, homens e mulheres do campo e da cidade, lideranças de comunidades e movimentos sociais, membros de empreendimentos econômicos solidários, que articulados pelo Grupo Regional de Economia Popular e Solidária – GREPS, pela Associação Regional dos Grupos Produtivos Solidários de Geração de Renda – ARESOL e pelo Coletivo de Educadores/as, nos dias 25 e 26 de abril de 2015, estivemos reunidos no município de Monte Santo-BA. Buscamos discutir a participação da juventude na Economia Solidária, tal como fortalecer o protagonismo desse setor em espaços de mobilização, articulação e proposição de políticas públicas.

Nos organizamos através de grupos produtivos solidários, Escolas famílias Agrícolas movimentos sociais e Fundos Rotativos Solidários. Valorizamos nossos produtos e nossa cultura; o respeito e a preservação da natureza e da terra. Prezamos pelo modo de trabalho organizado e coletivo que potencialize o saber local e as experiências dos agricultores e agricultoras; buscamos criar relações de parcerias com autonomia para viver uma economia solidária pautada pelo protagonismo da juventude, em diferentes espaços de organização. Queremos transformações econômicas, pautadas na autogestão dos processos econômicos, sempre com sustentabilidade ambiental, participação democrática e justiça social.

A Economia solidária representa para nós a valorização e o resgate das culturas populares, dos frutos da região, o trabalho coletivo e a revisão de pensamento na construção de uma sociedade melhor. O modo de produção cooperado, nos leva a pensar mais a viver uma vida em comum que nos oferece uma alternativa de desenvolver o espírito coletivo e a construção de uma sociedade mais justa, mais unida e solidária. Permitindo, portanto, a resistência e permanência do jovem no campo com incentivo a produção familiar e agroecológica.

Queremos que as Finanças Solidárias (fundos rotativos solidários, bancos comunitários e cooperativas de crédito solidário) seja para os jovens, uma alternativa para fortalecer a Economia Solidária, bem como, as politicas públicas de acesso a terra, água, educação contextualizada e comercialização. Assim, pensando em formas de contribuir para a expansão do movimento de Economia Solidária propomos a realização de intercâmbios que valorizem, sobretudo, o meio rural e os espaços produtivos na troca de saberes com outras experiências. Queremos a criação de espaços de formação específicos para os jovens sobre economia popular e solidária, para que a juventude possa se representar e pautar suas demandas. Nesse sentido, faz-se necessário expandir e democratizar os

meios de comunicação. Assim, devemos promover a união dos movimentos, visando a divulgação de experiências com novos multiplicadores.

Para o Governo Estadual, especificamente, Superintendência de Economia Solidária – SETRE/SESOL e Secretaria de Desenvolvimento Rural – SDR, solicitamos:

Criação e ampliação de politicas públicas para os jovens da economia solidária;

Criação e ampliação de politicas de comercialização dos produtos da economia solidária e fiscalização dessas politicas;

Flexibilização no acesso aos mercados formais e institucionais, para os grupos de Economia Solidária, os casos dos selos: SIM, SIE e SIF;

Criação de editais específicos de estruturação e Assessoria técnica e formação especializada para economia popular solidária;

Efetivar a fiscalização nas entidades executoras (prefeituras e escolas estaduais) do programa nacional de alimentação escolar – PNAE (In loco), sobre o cumprimento dos contratos com os empreendimentos;

Investimento de recursos financeiros para apoio às Escolas Famílias Agrícolas

A Juventude, presente nesse encontro, se coloca como protagonista da Economia Popular e Solidária e busca o fortalecimento das iniciativas de produção coletiva. Nesse sentido, apontamos para a necessidade do nosso reconhecimento como setor estratégico para ampliação e fortalecimento da Economia Popular Solidária. Queremos o reconhecimento desse documento nos espaços de construção de políticas públicas e articulação do movimento como: Fórum baiano de ECOSOL, Conselho Estadual de Economia Solidária e Conselho Estadual de Juventude.

Entidades que assinam essa carta:

IRPAA – Instituto Regional da Pequena Propriedade Apropriada;

Centro Público de Economia Solidária Litoral Sul

Associação Beneficente Josué de Castro

CACTUS – Associação de Assist. Técnica e Assessoria aos Trab. Rurais e Movimentos Populares

Fundação Esquel Brasil

PJR – Pastoral da Juventude Rural

EFASE – Escola Família Agrícola do Sertão

EFAI – Escola Família Agrícola de Itiúba

ARESOL – Associação Regional dos Grupos Solidários de Geração de Renda

GREPS – Grupo Regional de Economia Popular e Solidária

CETA – Movimento de Acampados e Assentados

MPA – Movimento dos Pequenos agricultores

Associação da Lagoa do Saco

CPT – Comissão Pastoral da Terra Centro Norte/ Bomfim

Câmara territorial de juventude Litoral Sul

COFASPI – Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte

APPJ – Associação de pequenos produtores de Jabuticaba

AGROTERRA – Associação Baiana de Técnicos em Agropecuária e Serviços Socioambientais voltado a Agricultura Familiar

Fonte: Página da COFASPI

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