A opinião de Luiz e Beatriz sobre o Acampamento Latino-Americano da Juventude

Bandeiras das diferentes organizações presentes do Acampamento Latino-americano. Foto: Beatriz Marins
Diversidade de organizações presentes marcam o 14° Acampamento Latino-americano de Jovens, em Palmeira das Missões. Foto: Beatriz Marins

Da Página da PJR

O 14º Acampamento Latino-Americano da Juventude foi um marco na caminhada das organizações juvenis do país e do continente no ano de 2014. Reunidos em Palmeira das Missões/RS, cerca de 2000 jovens vindos de 16 países das Américas e África fizeram da atividade um palco de muito diálogo e intercâmbio de conhecimentos.

Luiz Antônio da Silva Filho é Técnico em Agroecologia, mora em Tupinitinga/PE e pela primeira vez participou do Acampamento. O contato com jovens de diferentes lugares lhe proporcionou “ampliar o conhecimento histórico, político e social da América Latina e do mundo”. Luiz também afirma que a atividade aponta para “novos horizontes de luta para os movimentos do campo e da cidade”.

Beatriz Marins, estudante de Ciências Agrícolas, de Água Doce do Norte/ES, comenta que no Acampamento foi possível vivenciar a prática internacionalista, onde cada país pode perceber os elementos que nos une e os inimigos comuns, a troca de experiência nas festas e momentos de integração foi essencial para percebermos que somos um só povo, uma só raça”. Para Beatriz, “é necessário pensar de forma global nos problemas e contradições do mundo, mas sobretudo que criar formas de unidade baseada nas relações afetivas, afim de construir o nosso projeto popular. É necessário pensar na unidade da juventude no estado, para ecoar a força”.

A programação do acampamento contou com oficinas, palestras e atividades culturais. Intelectuais reconhecidos pelo compromisso com as causas sociais como João Pedro Stédile, Eliane Moura, Igor Fuser e Aleida Guevara, estiveram discutindo temas com os e as jovens presentes.

O pernambucano Luiz Antônio afirma que “todo jovem deve ser revolucionário por terra, educação, saúde, étnico racial, pela igualdade social e de gênero, pela constituinte, ou seja, estar sempre marchando para a construção do socialismo e do projeto popular”.

Um dos momentos de destaque da atividade foi a ocupação da Fazenda Pompilho, um latifúndio de 2 mil hectares, localizado próximo à Rodovia BR 158, em Palmeira das Missões. Foram cortados alguns pés de milho transgênico para semear sementes crioulas como forma de denunciar um projeto de agricultura concentrador e excludente para anunciar um projeto de agricultura e sociedade baseado na distribuição de renda e na preservação do meio ambiente.

A juventude camponesa é o sal da terra e a juventude da elite é o apocalipse.

Luiz e Beatriz trabalham na agricultura e participam da PJR, que atua inspirada na evangelização dos jovens do campo.  Para Luiz, “a juventude camponesa é o sal da terra e a juventude da elite é o apocalipse!”, se referindo ao fato de que Jesus Cristo sempre posicionou no lado dos mais pobres.

A capixaba Beatriz afirma que “Jesus Cristo foi um jovem que lutava em prol do bem comum, sem separar movimento, estado, país. Jesus era um internacionalista que pensava além de seu povo, que organizava e enfrentava. A juventude latino-americana é uma juventude que ousa lutar, que em meios as contradições da sociedade na qual fazemos parte resiste. Estamos em conjunto buscando soluções para ter uma vida digna, com acesso as necessidades.”

O acampamento também serviu como espaço para organizar a agenda de lutas da juventude que se articula em âmbito internacional como Via Campesina, e em âmbito nacional num conjunto de organizações sociais que inclui também entidades urbanas.

Luiz Antônio avalia que o Acampamento deixou uma lista de tarefas que são necessárias para os jovens do Brasil como “A aproximação de todos os movimentos que compõem a Via Campesina Brasil; promover a participação da juventude urbana organizada; fortalecer a identidade e das pautas de luta da juventude campesina e urbana no Brasil e na América Latina; estimular a autogestão que é a forma consciente de organizar a luta; fortalecer a participação de pessoas leigas, para que se somem a luta; realizar formação de base urgente e contínua sobre revoluções socialistas, gênero, agroecologia, feminismo, comunicação, mídia alternativa, história do socialismo, mística. Como os movimentos podem trabalhar com os militantes a relação com as redes sociais? Ficou visível a importância de reunir as juventudes uma vez por ano para que haja um momento de repasse/planejamento das lutas, novas pautas, agendas, formação, intercâmbios.”

O espírito do acampamento é de manter a unidade global do conjunto de lutas locais e nacionais das organizações populares, como é o caso da PJR.

Bandeira da PJR no Acampamento. Foto: Beatriz Marins
Bandeira da PJR no Acampamento. Foto: Beatriz Marins

Em relação a participação da PJR nessa articulação Beatriz avalia que “a PJR deve estar sempre presente nas lutas, e incentivas aos jovens um pensamento internacionalista, a ter uma prática que rompa com as amarras do capital, mas não só na falácia, mas na prática, ocupando fazendas, universidades, o que é nosso por direito. O acampamento foi símbolo de resistência e unidade entre campo e cidade.”

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