No primeiro dia de acampamento juventude reafirma a unidade contra o Imperialismo na América

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Por Comunicação da Via Campesina
Da Página do MST

“Temos que retomar a esperança e o sentimento que nos mobiliza para uma causa comum, sem esse sentimento não teremos força para enfrentar o inimigo” afirmou Eliane Moura Martins, do Movimento de Trabalhadores Desempregados (MTD), nesta quarta feira (20), durante a mesa de Abertura sobre “Análise da realidade Latino-Americana do 14° acampamento Latino-americano em Palmeira das Missões, interior do Rio Grande do Sul.
Foi com o chamado para Internacionalizar a luta e a esperança que a juventude do campo e cidade iniciaram o primeiro dia de acampamento. Não teria melhor introdução para os temas debatidos na mesa de debate, que também contou com a participação de Igor Fuser, professor de Relações Internacionais da UFABC, do que relembrar que os laços que unem o povo latino-americano extrapolam as divisas territoriais.
“Nossa identidade é uma identidade comum, ela tem haver com a nossa historia que compartilha além de uma invasão europeia em nossos territórios, uma trajetória de luta e resistência popular, com Zumbi, Bolívar, Sepé Tiaraju e tantos outros e outras que compartilham a luta por independência e autonomia” afirmou Fuser.
O professor Fuser ressaltou também que os últimos períodos vividos na América Latina foram duros, mas com conquistas significativas pela luta dos movimentos populares e de governos progressistas.
“Presenciamos na América governos que refletem um processo popular e progressista que contrapõe fortemente o modelo neoliberal e imperialista. Estes veem com meios e formas diferentes mantendo um grau de compromisso com a soberania nacional, que teve o marco inicial em 1998 quando o comandante Hugo Chávez deu a largada, invertendo completamente a logica de governo da época. Pela primeira vez o petróleo foi devolvido a seus verdadeiros donos, o povo” relatou o professor.
A lógica da Unidade e do protagonismo popular também foi abordada por Eliane Moura, a militante expôs o processo de formação e dominação do capital com a classe trabalhadora e afirma que só a luta conjunta conseguirá superar os processos de exploração.
“O capital tenta cada vez mais se apossar e lucrar com a nossa vida, já não está apenas nas relações de trabalho e produção, ele conseguiu mercantilizar, os sentimentos, o prazer e a cultura, enfim todas as esferas da nossa vida. Temos que sentar juntos para compreender que não é possível enfrentarmos o inimigo separados. Precisamos estar juntos para dar conta das tarefas compromissos”, afirmou Eliane.
Compromissos com o projeto Popular
Eliane convida toda a juventude a reafirmar e assumir os compromissos com um projeto popular para a América latina. Ela elencou seis pontos de compromissos prioritários para a materialização desse projeto:
1 – A soberania: proteger de todas as maneiras nosso território, não podemos entregar os bens culturais, naturais e populares para uma meia duzia de empresas, todos devem se manter sob o controle e uso do povo;
2 – A democracia: entender que a democracia não é apenas votos de tempos em tempos, a democracia que defendemos significa participar das decisões dos rumos de nossas nações;
3 – O desenvolvimento: comprometer com a verdadeira lógica do desenvolvimento que garanta um equilíbrio entre a produção e a preservação. Que coloque o fruto do trabalho nas mãos do povo, garantindo a qualidade das gerações futuras;
4 – A sustentabilidade: garantia da dignidade e do equilíbrio em todas as esferas da vida, a garantia da saúde, do alimento, do trabalho, do respeito; comer com dignidade, saúde)
5 – A solidariedade: reforçar esse que talvez seja um dos sentimentos mais bonitos da humanidade. Comprometer com uma caminhada coletiva, onde cada um e cada uma contribua com o seu melhor, desde uma visão local a uma visão global;
6 – O feminismo: o capital se apropriou de formas de exploração que são anteriores a ele, uma delas é o patriarcado. Temos que reafirmar que as mulheres são parte fundamental e não existe nenhuma possibilidade de uma nova sociedade ser construída sem a superação do patriarcado. É preciso garantir o compartilhamento igual dos compromissos, trabalhos, conquistas e prazeres. É tarefa dos homens e das mulheres combater o patriarcado no dia a dia.
A resposta mais eficaz às ações do imperialismo na América Latina e em toda sociedade é a unidade de classe. Nesta conjuntura a juventude se apresenta como uma peça chave, pelo fato de representar a continuidade de um processo e, sobretudo, por alimentar a mística, com novos valores. Esses elementos ficaram bem evidentes logo no primeiro dia de acampamento, essas tarefas foram reafirmadas com fervor por toda a juventude, que respirando os mesmo ares de luta, aspiram os mesmos desejos de mudança.
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